5 níveis de Ter a Pia


Dizem que as cinco fases fundamentais do luto são a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Então posso afirmar que minha esposa passou por um luto recentemente. E não necessariamente envolveu morte. Pelo menos não a biológica que conhecemos.
Bom, deixa eu explicar: dias atrás, em um sábado à noite, chegamos em casa e entre os afazeres que programava realizar, tive que colocar um galão de 20 litros no bebedouro. Uma tarefa aparentemente normal, não fosse feito por este que vos escreve. Resumindo: o galão não ficou firme, eu não consegui segurá-lo, ele caiu na pia e a cuba da mesma simplesmente desabou, levando tudo pelo caminho. E assim começaram as fases do luto:

Negação - "Não, não é possível que esse jegue conseguiu essa proeza em pleno sábado à noite", pensou minha esposa, com uma estalactite flamejante estampada em sua íris e apontada direta para minha jugular. Mas era fato e o estrago estava feito. Depois de alguns segundos com cara de paspalho, resolvi ir a loja de materiais para construção providenciar os produtos necessários para colar a pia. Chegando lá, descobri que era relativamente simples o serviço, me julguei apto para realizá-lo e voltei com os ingredientes, cheio de autoestima, como se fosse um autêntico empreendedor das tarefas residenciais.

Raiva - Claro que ia dar mais merda. Li a embalagem do produto, que explicava o modo de preparo da massa que iria servir de cola para a cuba. Bastava misturar a massa com um líquido do capeta e aplicar no local. Fiz exatamente assim. E, em meio ao cheiro insuportável da mistura, comecei a refletir como faria a colagem. Foi o tempo suficiente para a massa secar. Sim, a massa virou uma pedra. "PQP, seu verme, FDP, coliforme fecal, morfobivicornofibitripoliputa, maledeto, cara de melão, você não serve pra nada", disse ela, em momento de leve desvio no controle emocional.

Negociação - "Antes de demolir a casa e acabar com nosso fim de semana, vou pedir ajuda ao meu pai, não acha melhor?". Nesse momento eu entrei na fase de negação: "Imagina, sou capaz de fazer isso, não preciso de ajuda". Mas a estalactite, que antes estava flamejante em seu olhar, formava uma labareda de lava metalizada formando o 666. O suficiente para aceitar a sua sugestão. Fui à loja comprar novamente o produto. Acho que o sorriso de canto da mulher do caixa denunciou que ela sabia o que aconteceu.

Depressão - Cheguei em casa, coloquei o produto na pia e fiquei esperando a chegada do meu sogro. Minha esposa me olhava, olhava o produto, olhava o buraco na pia e o olhar que antes formava o 666 agora estava desenhando um floco de neve ao som de let it go, da Frozen. Era o gelo da depressão. "PQP, como fui casar com um ser humano que mal consegue fazer um mísero trabalho doméstico?", certamente pensou ela.

Aceitação - Após resolvido o perrengue, ela olha pra mim e suspira, como se dissesse: "É, cada um tem o que merece".

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