Engolindo Sapo


Uma reunião despretensiosa entre amigos pode nos reservar imprevistos desconsertantes, não é mesmo? Pois essa aconteceu há pelo menos 15 anos atrás, em uma espécie de casa-sítio de um amigo meu. Aquela reuniãozinha básica, para não fazer nada, jogar conversa fora e bebida dentro.
Papo vai, papo vem e recebo um chamado da natureza para desaguar. Fui ao banheiro e qual não foi minha surpresa ao reparar que tinha, nada mais, nada menos que um genuíno espécie saltador das lagoas brasileiras: um sapo, ao lado do vaso sanitário.
Apesar de vos escrever com essa aparente calma, o momento foi de pura tensão, desespero e taquicardia que beirava o infarto agudo do miocárdio. Por que, céus, certos animais insistem em invadir o espaço dos humanos? Sem pestanejar, eu poderia afirmar com propriedade que o sapo tinha à sua disposição milhares de alqueres para pular alegremente e em liberdade. Mas não, o réptil oriundo das profundezas aquáticas de uma floresta remota se sentiu atraído por urina misturada com cachaça.
Nessa hora eu não sabia o que fazer. Gritar colocaria minha masculinidade em xeque. Atacar poderia provocar uma reação intempestiva do animal. Mas eu precisava urinar e o fiz na pia. E decidi manter esse fato em segredo, pois não queria demonstrar minha frouxidão aos amigos e sofrer um bullying que duraria gerações.
Fiz todo o procedimento e o sapo lá permaneceu. Claro que já contava com o fato de que teria que voltar ao ÚNICO banheiro da casa disponível e encarar a criatura. Cada entrada era cercada de mistério, pois ele poderia estar em qualquer lugar. Fazer número 2 nem pensar, por motivos óbvios. Mas após muitos mini AVCs a cada ida ao banheiro, sobrevivi ao sapo e ninguém ficou sabendo do ocorrido.
Alguns dias depois, encontrei o dono da casa e decidi abrir o jogo. "Você percebeu que tinha sapo no seu banheiro?", perguntei. "Claro, fui em que comprei….na loja de enfeites de jardim."
É, tive que engolir esse sapo!

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