Mente Devassa


Às vezes subestimo a minha capacidade de fazer coisas estúpidas, mas a natureza está aí para me alertar. Foi no dia 13 de Maio, meu aniversário. Sempre faço festa nessa data querida, mas na ocasião pensei em algo um pouco fora do convencional. Não, nada de atrações exóticas, animais silvestres cantando o hino nacional, dança do ventre com freiras albinas vítimas do ebola no Sri Lanka ou coisas do estilo. A decisão foi simples: chopp ao invés de cerveja.
Consegui um preço camarada em uma choppeira e comecei a idealizar a festa. Lista de convidados, ingredientes, horário, decoração, etc. Tudo ok, let's party.
O dia amanheceu como se fosse uma novela carioca da Globo: aquele sol de dar praia. A choppeira chegou no horário combinado. Testei, tudo ok. Algo me dizia que seria a festa perfeita.
Pontualmente às 19h chega o primeiro convidado. Entre uma conversa e outra eu pergunto: vai chopp? E depois da afirmativa, fui serví-lo. Mas algo estranho estava acontecendo. A choppeira não estava fazendo barulho. Um silêncio sepulcral. Mexi na tomada. Um sinal de vida e logo após o silêncio. "Não acredito que esse trambolho vai dar problema logo agora", pensei. Uma mexida aqui, outro puxão aqui, um chutinho na lateral, um tapão acolá e zuuuummmmm, volta a funcionar. Peguei o copo para servir e o silêncio voltou. Shit!
Havia percebido que o transformador estava bem judiado, e logo foi eleito o fator determinante para o problema. Logo acionei 2 amigos donos de bares para que trouxessem o transformador. Ninguém. Não era hora para desespero, mas o frio na espinha era inevitável. E para fomentar o vírus da Lei de Murphy, um lote considerável de convidados sedentos estava chegando. Os amigos mais cachaceiros adentravam meu lar como zumbis alienígenas prontos para saquear qualquer elemento que contenha álcool em sua composição. E a desgraçada da máquina de chopp hibernava como um urso obeso em um rígido inverno alpino.
Tive que apelar para minhas garrafas de vodka e whisky, que em princípio seriam usadas para ocasiões privé ou mais reservadas, para conter a fúria alcoólica dos presentes que ainda chegavam em bom número.
Com a cabeça mais fria e o fígado mais quente, pensei: vou ter que comprar um transformador novo. Minha sogra e meu cunhado, para que eu não largasse os convidados, se propuseram a fazer a compra. Quase 1 hora depois e 3 garrafas de vodka e whisky vazias, o transformador chegou. Ufa, the show will go on. Conectar, ligar e…..nada!!???!! Nem sinal de vida.
Um dos amigos, já embriagado e formado em elétrica, questionou se o local onde estava a choppeira não estava exigindo demais da parte elétrica da casa. Entre explicações técnicas mas pouco esclarecedoras, resumindo, transportamos a choppeira para o interior da casa - no caminho, uma garrafa de vodka e uma de pinga foram capturadas -, mais especificamente na cozinha. Mais uma tentativa…e nada. Misto de desespero, choro, raiva e aceitação. Vamos esquecer a choppeira. Voltamos com os mais de 100 kg de trambolho inútil de volta para o lugar de origem e cada um dando seu tapa ou chute de colaboração. Depois dos mais variados testes que fariam da Discovery Channel um canal amador, desistimos. Fui comprar cerveja. 1 hora depois, os convidados estavam começando a cervejada, mas já bem tortos com os destilados.
Aí chega o momento estupidez: um dos amigos percebe que a torneira da choppeira estava úmida. Foi colocar a mão e disse: nossa, está gelada!?. Pegou o copo, puxou a alavanca e…voilá! Chopp gelado. Sim, meus pimpolhos, a choppeira estava funcionando o tempo todo. Simplesmente ninguém teve a ideia de tirar o líquido. Eram mais 30 litros pela frente.
Aí sim, vimos as freiras albinas cantando o hino nacional e os pássaros silvestres dançando a dança do ebola...

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