Nu vestiário


Encontrar um amigo que você não vê há muito tempo é uma grande alegria em qualquer situação, mas existe uma circunstância em que a alegria é ofuscada pela atmosfera sofrível do constrangimento. Essa aconteceu comigo há poucas semanas e quem conhece Entre o Bem e o Mauro sabe que este que vos escreve não poupa ninguém, muito menos ele próprio.
Estava eu saindo do banho, no vestiário da academia, quando encontro um ex-colega de escola. Mas não era um simples colega, era um grande amigo, daqueles de jogavar futebol juntos, aprontavar todas e mais algumas, zoar até, enfim, garotos levados da breca, traquinas mil e capetas em forma de guri. E em uma contagem superficial, não o via há pelo menos 10 anos. A magia estava no ar, não fosse O detalhe: estávamos nus, molhados, com a adrenalina correndo nas veias pela série de exercícios matinais e, principalmente, apenas cobertos por toalhas.
As perguntas faziam os neurônios se conectarem de forma desordenada: como demonstrar minha felicidade pelo encontro apenas com toalhas entre nós? Devo abraçá-lo como normalmente fazem amigos de longa data? Um aperto de mão, pela força da circunstância, já não resolveria o caso?
Não era fácil tomar uma decisão neste cenário. O normal seria um grande abraço, com tapas intensos nas costas, um largo sorriso e uma natural conversa retrô, cheia de saudosismo e boas risadas, mas….e se a toalha cair no meio deste ritual? Será que o preço da amizade precisa ser tão alto assim?
Todas essas indagações aconteceram em uma fração de segundos e a decisão final foi curta e grossa: dei uma breve olhada para ele, falei um indiferente "e aí?" e continuei a me arrumar para mais um dia de labuta. Ele nem era tão amigo assim.

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