Pluto da vida


Ano passado realizei um sonho de criança e que só foi possível realizar agora: ir à Disney. Poderia escrever um livro com as histórias, contratempos, presepadas, micos e afins ocorridos em Orlando, mas primeiramente vou focar em um deles em especial. Fomos em umas 10 pessoas, que depois foi dividido em 2 grupos. No meu, eu, minha esposa, cunhado, cunhada e sobrinha, de 2 anos de idade.
Pois bem, poderia falar das belezas dos USA, dos encantos da Florida, da organização americana, mas isso não é um diário de viagem, é Entre o Bem e o Mauro. O primeiro dia foi para fazer compras básicas e descansar da viagem, pois no dia seguinte conheceríamos The Magic Kingdom (imaginem a sonoplastia típica da Disney para dar um ar de magia nessa frase), o principal parque do Walt Disney World (mais sonoplastia, fogos e cantoria de um trio de senhores de Massachussets da década de 20).
Como não poderia ser diferente, fizemos uma agenda focando os desejos de minha sobrinha, mas mesmo para um adulto, o parque é sensacional. São tantas atividades que você até se perde.
Lá pelas tantas, decidimos ver uma atração, que sinceramente não lembro o nome, que ficava bem na entrada do parque. E pela estrutura deveria ser uma das principais, tirando o castelo das princesas. Entramos no local e ficamos desmotivados com o tamanho da fila, parecia uma fila de emprego da terceira idade na praça da sé, sendo que a entrevista seria feita com Roberto Carlos com direito a um selinho. É, imagina a demora. Mas, perspicaz como somos, descobrimos que era possível comprar um ingresso Free Pass para a segunda e última apresentação das 16h30. Perfeito, compramos e seguimos para a próxima atração.
Perto das 14h passamos pela casa do Peter Pan ou algo assim. Como tudo era novidade, entramos. Aí começou o calvário. Alguns fatores contribuíram para isso e aqui vale uma pequena pausa: o calor era de rachar, eu estava com uma forte bronquite, era férias de julho, a fila era insana e, para piorar, todas as filas de brinquedos da Disney tinham algo que entretia durante a espera, seja na decoração, tecnologia ou outras surpresas. Essa não tinha absolutamente nada. Mas tudo bem, eu estava na Disney, tudo era alegria.
No começo a gente ria, conversava, comia, mas o tempo foi passando e a impaciência foi me tomando. O que me acalmava é imaginar que, pelo tanto de gente, aquele seria um brinquedo inesquecível, eu seria tomado pela magia do lugar, viajaria nas asas da imaginação e voltaria à velha infância que me envolveria com seu saudosismo de outrora. Até uma lagriminha saiu dos meus olhos.
Mas o tempo foi cruel comigo. Já se passava 1h30 e a cada curva que a fila fazia, a decepção de ver que ainda estávamos longe da porta de entrada da atração. E o pior, se aproximava do horário da atração do free pass, que eu não perderia por nada.
Próximo das 16h (2h de fila) avisto a porta. Já completamente irritado, totalmente pluto da vida. Mas, enfim, show time. Entrando no local, uma pessoa organizando a fila e muito barulho de criança. Da porta até a revelação, mais uns 10 minutos e para a minha total e broxante surpresa, eu aguardei fuckings 2h10m33s para…..tirar fotos com as princesas. Sim, meu queridos leitores. Era para tirar fotos com essas vadiazinhas do mundo encantado, essas periguetes do reino mágico da PQP, essas quengas arrombadas provindas do castelo do cramunhão. Não conseguia disfarçar minha vontade de incorporar meu lado estado islâmico e decapitar as moçoilas. E como já estávamos perto das 16h30, tratei de apressar todos para o brinquedo que tinhamos agendado.
Fotos feitas e corremos para o local. Mesmo com o free pass, pegamos uma fila considerável. Foi o tempo suficiente pra me recuperar do trauma das fotos das vacas pintadinhas de Walt Disney World. Fiquei os 40 minutos de fila despejando e sussurando o meu vasto vocabulário de impropérios acumulados em 42 anos de experiência de vida. Página virada, foco no brinquedo que estava por vir.
Meus cunhados e sobrinha estavam um pouco mais adiantados, pois estar com criança garantia essa regalia. Perto da porta da atração, percebi que se aproximava a vez dos meus cunhados de brincar e vi que o meu cunhado começou a dar um sorriso estranho pra mim. Pensei: desgraçado, deve estar rindo da "aventura" com as cocotinhas na casa do Peter Pan, mas ele me paga. E ele não parava de rir até que sumiu do meu raio de visão. Mais 5 minutos chegou a nossa vez e para minha surreal surpresa…..fotos com os personagens da Disney, ahhhhhhhhhhh, FD$%$#$@@#$, rrrooooyyyy, iolerulê-ihiiii, pedalando, pedalando, pedalando uma caloi, a poupança nunca dói, sssss. É isso mesmo, amados leitores. Uma sessão de fotos com Mickey, Pato Donald e sua trupe de animaizinhos imbecis das profundezas enxofrezadas do principado de lúcifer. Entendi o sorriso do meu cunhado. Me rendi e acabei rindo, mas extremamente fulminado de raiva por dentro.
A partir daí tive uma sábia decisão: vamos nos separar e combinamos um local para nos encontrarmos mais tarde. Melhor.

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