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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Noite de terror

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Era para ser mais uma noite tranquila de verão. Mas não foi. Muito longe disso. E as sequelas se perpetuaram. Fica até difícil relatar o fato sem a companhia do Rivotril. Uma equipe de psiquiatras e cardiologistas, com o desfibrilador a postos, me acompanham enquanto escrevo. Sensores monitoram, via satélite, meus sinais vitais. Um esquema digno de reality show foi montado para preservar minha integridade física e mental. Neste momento sou um frasco de nitroglicerina que pode ser acionado a qualquer momento, mandando tudo pelos ares. Preciso medir minhas palavras. Ok, há um certo exagero. Ok, vou contar o que aconteceu.
Neste fatídico dia, mais para o final dele, fui às compras no Carrefour (faço questão de citar o estabelecimento, pois ele é a origem de tudo isso). Era uma época que o governo proibia a utilização de sacolas plásticas, pelo bem da natureza. Sendo assim, o Carrefour (maldito!) disponibilizou caixas de papelão para armazenar as compras. Como a minha compra não foi muit…

Eu, eu mesmo e uma frenética perseguição

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Tenho calafrios só de lembrar. Minhas mãos estão trêmulas e mal consigo digitar, mas preciso dividir isso com vocês, estimados leitores. Aconteceu no dia de ontem. Estava voltando do almoço, feliz e satisfeito, quando me deparo com um carro parado no meio da rua. Tudo indicava que ele estava saindo da garagem da sua casa e, por algum motivo, decidiu parar para resolver algo. Isso já provocou minha pequena ira, mas o pior estava por vir: me aproximando um pouco mais do veículo do meliante extirpador da minha paciência percebo que ele simplesmente falava ao celular. Sim, meus pupilos do senhor reitor, o filho de uma que ronca e fuça parou seu carro no meio da via para falar ao telefone móvel. Não tive dúvidas, acumulei energia na mão e pressionei a buzina como se fosse uma sirene antinuclear. Puxei o ar abdominal para efetuar um impropério sonoro. Fiquei a meio corpo para fora do carro e quando passei ao lado do automóvel, a surpresa: um braço troncudo, tatuado, rústico e detonador de …

O dia em que Mr M desmascarou Jesus (crônica retrô)

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Aproveitando a carona do filme "Código Da Vinci", baseado no best seller de Dan Brown, que insinua que Jesus se envolveu com Maria Madalena e deixou um descendente na Terra, vamos imaginar uma situação em que mais um grande segredo protegido pela alta cúpula da igreja durante séculos seria desvendado: os milagres de Cristo. Tenho plena consciência que após essa crônica serei excomungado e possivelmente apedrejado em praça pública, mas perco a religiosidade mas não perco a piada. Portanto, antes de qualquer pessoa sentir-se ofendida com tamanhas heresias contidas no texto a seguir, já deixo claro que não pouparei acidez em minhas palavras.
Bom, digamos que para desmascarar essa "farsa" precisamos da ajuda....do mágico mascarado...o Mr. M.

Cid Moreira - Oh, senhor de todos os sortilégios, diga-nos, porque afirma que Cristo não executou, realmente, tais milagres.
Mr. M - Porque ele é somente um grande ilusionista. E eu explicarei cada truque realizado.
Cid Moreira - …

Desafio

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Mal saí da chapação de saber que serei pai, recentemente descobri o sexo: uma menina. Meu mundo foi ficando cor-de-rosa, cheio de Peppas Pig, Barbies e fru-frus femininos e apaixonantes. Mas junto com a notícia, vieram as tradicionais brincadeiras: "Ah, virou fornecedor", "Vai pagar seus pecados" e "Já arrumei namorada para meu filho". Tentando colocar os pingos nos "is" e mostrando quem manda na casa (depois da minha esposa e da futura filha), vou citar aqui os 10 mandamentos de quem quer conquistar a minha princesa. Por isso, se você é um menino que ainda não nasceu ou é recém-nascido, leia com atenção. Se ainda não sabe ler (já começou mal, educação é crucial. Mas tudo bem, vou dar um pequeno desconto pela idade, mas vai se mexendo, fedelho), peça para seus pais lerem. E mesmo que você siga radicalmente os 10 mandamentos não significa que o coração dela é seu, mas poderá encontrá-la regularmente, desde que siga as regras dos 8 volumes do man…

Cara de sunga

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Estava eu a caminho de mais um dia de trabalho, quando passo na frente de uma escola de natação. Até aí, nada de mais, quantas pessoas neste mundo passam por escolas de natação antes de chegar ao trabalho? Às vezes passamos em mais de uma escola e nem nos damos conta disso. Pode até ser que neste momento você esteja lendo a crônica em frente a uma dessas escolas de natação. Mas nem todas as escolas de natação estão necessariamente no caminho do seu trabalho, mas por força de algum imprevisto ou desvio, você acaba passando na frente de uma. Ou mais. Lembrando que estou considerando "na frente" os casos de passar pela lateral da escola ou nos fundos também. Na verdade é algo simbólico o passar na frente, afinal, ninguém vai falar: "hoje passei na lateral da escola de natação quando ia para o trabalho".
Bom, como ia escrevendo, estava passando na frente da escola de natação (literalmente na frente, neste caso), quando me deparo com uma cena no mínimo exótica: um cara…

Ouro Branco (crônica retrô)

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Ando tendo um flerte com o bombom Ouro Branco, aquele que é o Sonho de Valsa ao contrário – chocolate branco com recheio de chocolate afro-descendente. Acontece que sempre fui fiel – ok, com algumas puladas de cerca – ao Sonho de Valsa: ele sempre foi o meu preferido na hora de adoçar a boca. Eu chegava ao cúmulo de comprar um pacote de 1 kg somente para consumo próprio e que, pasmém, não durava sequer uma semana. Após os almoços e jantares eu não abria mão deste chocolatinho dos deuses, do good good of paradise. Ficar sem o sonho de valsa era um "pesadelo de heavy metal".
Mas como em todo relacionamento, a rotina era um inimigo perigoso. Talvez por saber que eu me derretia por ele, o sonho de valsa começou a não cultivar este amor, achando que eu já estava dominado. Era um dia em que ele não estava tão crocante, outro em que estava tão mole que não me dava prazer (ui!) e outro em que estava todo quebradiço e seco. Eu sentia que o que antes era fantasia estava tornando-se usu…

Qual o seu preço?

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Essa aconteceu há um bom tempo mas certamente pode se aplicar em qualquer época. Era mais uma tarde típica de trabalho em uma agência de propaganda e, entre um job e outro, os criativos conversavam amenidades. O bate-papo entre profissionais da criação não é diferente do papo de qualquer outro tipo de profissional, mas normalmente é mais carregado de besteiras, humor e exageros. E nesse dia iniciou-se uma conversa que afirmo, com total certeza, já permeou o universo masculino: até onde você chegaria por dinheiro. Na roda estavam eu e mais 2 colegas e vou tentar retratar basicamente como foi.
Pessoa 1 - Pessoal, se te oferecessem R$ 200 para fazer um sexo homossexual, vocês aceitariam? (sim, a conversa foi iniciada assim mesmo, do nada).
Pessoa 2 - Tá louco? Pirou? Que conversa é essa?
Eu - Pode se abrir. Você recebeu essa proposta e está tentado em aceitar?
Pessoa 1 - Não, claro que não. É só uma dúvida. E por R$ 500?
Pessoa 2 - Cara, qual o seu problema? Por dinheiro nenhum eu aceitaria
E…

Nomes para o bebê

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Recentemente tive a melhor notícia do mundo: serei pai. Sim, meus amados leitores, o(a) futuro(a) herdeiro(a) dos meus trocadilhos e crônicas está chegando para trazer felicidade extrema à minha vida e de minha esposa. Tudo é muito novo, tudo é muito lindo, mas certas coisas precisam ser discutidas nessa fase, entre elas o nome. Creio que a maioria das pessoas começa a decidir após descobrir o sexo, mas é sempre bom conversar sobre nomes de preferência, tanto para meninos como para meninas. Algumas coisas acabam sendo levadas em consideração como não ser um nome de alguém muito próximo (família, amigos), não ser um nome que tenha sentido negativo, ser algo que agrade ambos, ter uma sonoridade forte e agradável e que não seja motivo de chacota (facebookerson, roleston, waldisney).
Além de todos os critérios, eu, como Rei do Trocadilho, precisava analisar se o nome é passível de trocadilhos infâmes. O bullying é algo muito sério e, como especialista no assunto (trocadilho), devo fazer u…

Ciclone (crônica retrô)

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Nesta semana, os estados do sul do país estão apreensivos: a defesa civil alerta para a chegada de um ciclone extratropical que pode causar estragos, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A ocorrência de tempestades é comum nestas regiões e provavelmente é reflexo do aquecimento global e a destruição da natureza provocada pelo homem.
E em mais um furo de reportagem, Entre o Bem e o Mauro conseguiu uma entrevista exclusiva com o ciclone, que fez muitas revelações para mim. Veja a seguir:
Mauro – E aí, ciclone, que bons ventos o tráz? Ciclone – Ah, estou rodando por aí Mauro – Você não se cansa de levar destruição por onde passa? Ciclone – Destruição? Que exagero! Está fazendo tempestade em copo d´água Mauro – Você veio sozinho? Ciclone – Não, trouxe minha mulher, Hilda Furacão Mauro – Hum, então está apaixonado? Ciclone – Sim, ela me deixa sem ar Mauro – E como se conheceram? Ciclone – Em Buenos Aires. Estávamos em uma boate. Quando tocou Loves in the Air, ela olhou pra mim, eu ol…

Cupim de um cara de pau

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Eu tenho uma churrasqueira em casa mas não sei fazer churrasco. Pronto, falei. E digo mais: eu não gosto de pilotar a churrasqueira. E vou além: se acontecer um churrasco em casa e além de mim só estiver mais um homem, é ele quem vai comandar a grelha. Ele pode ir preparado para negar essa função, mas basta alguns minutos e ele já estará com o espeto na mão, a faca na outra e o pano de prato no ombro. Modéstia a parte, sou um ninja para me esquivar disso. Seja por dó, seja por raiva ou por qualquer outro motivo, eu vou escapar de ser o churrasqueiro na minha própria casa. Isso é fato e deve ser levado em conta se a sua intenção é não sair defumado da minha casa.
Eu sei que é feio falar isso, que eu deveria ser, por hierarquia, o anfitrião do evento mas, acreditem, para o bem de todos os convidados, é melhor que outro assuma essa bronca. Primeiro que chego a levar 1 hora para acender o carvão (isso quando não gasto 1 litro de álcool e mesmo assim o carvão nem esquenta). Segundo que nã…

Because i'm happy

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Essa crônica começou em meados de 2013 e teve seu desfecho exatamente no dia de hoje. Tudo teve início em Julho de 2013, quando fui fazer o check-up anual. O médico pediu os exames de sangue de praxe e um ultrassom do abdomen para ver como estavam meus órgãos. Fiz tudo certinho, mas o resultado de um destes exames me deixou com a pulga atrás da orelha. Foi detectado um pólipo de 0,6 cm em minha vesícula. O suficiente para um desesperinho tomar conta de mim. Até a data do retorno ao médico foi uma tortura. Pesquisando na internet, o que era desespero se tornou o caos na Terra: câncer, invalidez, infecções, nomes impronunciáveis e até a morte estavam associados à palavra pólipo. Sentia que meus dias estavam contados.
No dia do retorno ao médico estava tremendo algo em torno de 7,2 na escala Richter. O alerta de tsunami já soava em minha mente. E, para completar, o doutor estava atrasado. Foram 47min32seg de agonia extrema até que a secretária anunciou meu nome. Entrei na sala, pálido c…

Roberto Justus (crônica retrô)

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Eu tenho medo do Roberto Justus. Tenho calafrios múltiplos ao ver sua imagem na TV. Considero ele o verdadeiro mensageiro das trevas globalizadas. Na minha opinião, o programa "O Aprendiz", exibido na
Record, deixa Freddy krueger, Jason e outros vilões consagrados do terror parecidos com gasparzinho, o fantasminha camarada. Justus é implacável, intolerante, irredutível, seu olhar disseca a alma e definha os órgãos vitais dos concorrentes até que suas energias se esgotem, seus sanguem sequem e os ossos virem pó de marfim. Para ser sócio de Justus é preciso vender o espírito para um brechó no inferno em 3 vezes sem juros no Visa e entrada para Novembro.

Justus é o Capitão Nascimento do business. E ele não pede pra sair. Demite sem dó, de maneira fria e calculista. O inferno de Dante inicia com provas que testam o limite humano, provocam intrigas, obrigam o
participante a abdicar de suas emoções e fazem o aprendiz conviver com a pressão esmagadora de seus piores medos e traumas. E…

Travanão

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Certa vez eu vivi algo que se assemelhou muito a um roteiro de Quentin Tarantino. Algo como Drink no Inferno, onde o filme, até certo ponto monótono, dava uma reviravolta inacreditável.
Era mais um dia normal de trabalho. Época de poucos jobs, calmaria imperando na agência e até os grilos típicos da noite silenciosa (cri cri, cri cri) descansavam. Resolvi me aventurar em sites supérfluos para aumentar minha cultura inútil. Entre um click e outro, uma pausa para um cafezinho, um pit stop no banheiro e um rolé pela agência para jogar conversa fora ou captar algum job que pudesse ir adiantando. Nada foi produtivo. E voltei, de mãos abanando, ao giro pelos sites fúteis. Para aumentar a adrenalina, todas as pessoas do departamento estavam em silêncio, com cara de poucos amigos e nenhuma conversa. Seria um longo dia.
Em certo ponto estava clicando em qualquer link, só para me manter entretido e evitar cair no sono. Foi quando me deparei com um site de humor, que não me recordo agora o nome…

Entrando numa frila

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Ah, o freelance, seu lindo - ou frila para os íntimos. Esse que passeia no limbo entre o amor e ódio, mas sempre nos salva com seu dinheirinho extra. Que faz a gente entrar madrugada a dentro, trabalhar aos fins de semana e mesmo assim com um sorriso no rosto pelo dimdim que não constava em nossa planilha e que será dignamente usado para fins de lazer ou para comprar algo que não fazia parte dos seus planos. Mas nem tudo é glamour na vida dos freelancers. Baseado na minha experiência no assunto (leia-se mercado publicitário, mas creio que valha em todos os segmentos), vou enumerar os 10 tipos básicos de freelances.

Frila Magic Kingdom - É o frila dos sonhos. Quando ele é anunciado, as gaitas de fole tocam e um mundo mágico, onde a felicidade existe e a paz reina absoluta, se abre em sua vida. É questão de poucos dias. O cliente entra em contato, te passa o trabalho (muito simples, por sinal, mas em nenhum momento você sinaliza isso), você estipula um valor mais inflacionado que os con…

Teatro alternativo (crônica retrô)

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Um dos maiores programas de índio que a humanidade já desenvolveu é o teatro alternativo, aquele recheado de papo-cabeça, diálogos sem nexo, exagerados movimentos e expressões e público cult. Desculpem-me os amantes desta forma artística, mas isso é muito louco para minha cabeça. Por isso, resolvi prestar um serviço aos roteiristas e diretores de teatro alternativo de primeira viagem.
Como fazer um roteiro de teatro alternativo, estilo papo-cabeça, em 10 passos:
1 – Utilize atores performáticos – Daqueles que você tem a impressão que sofre de esquizofrenia aguda. Quanto mais movimentos, ruídos estranhos e olhares perdidos no infinito, melhor.
2 – Estabeleça linhas de raciocínio disconexas no diálogo – Não interessa o que o público vai achar, mesmo porque as pessoas que assistem a esse tipo de espetáculo certamente acharão brilhante o roteiro desde que seja "mutcho loco".
3 – Reproduza sons de animais e/ou plantas – Isso demonstra que você tem profundo contato harmônico com os el…

Folia de Reis

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Estava ontem assistindo ao Jornal Nacional quando me deparei com uma notícia deveras singular: a folia de reis em uma pequena e pacata cidade qualquer neste vasto Brasil de meu Deus. Nada fora do normal se não fosse um detalhe: a reportagem mostrava uma senhora, já no alto de sua senilidade, feliz da vida por receber em sua casa as pessoas fantasiadas de reis magos, tocando seus instrumentos (no bom sentido) e fazendo o ritual milenar que sinceramente não sei explicar. Mas o mais curioso e a razão desta crônica é que o repórter disse que a senhora esperava o ano inteiro por este acontecimento. Daí fiquei pensando….esperar o ano inteiro por isso? Coitada, que vida monótona deve levar a simpática idosa. Se isso é o mais emocionante que acontece em seu ano, Entre o Bem e o Mauro tem a obrigação moral e cívica de colocar mais adrenalina no dia a dia da vovó. E é pra já!

Folia de Reis - Missão Ipaussurama

General Brixtol - Agente Jeff, soldados infiltrados em Ipaussurama do Bom Jesus detect…

Contracapa

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Essa aconteceu comigo recentemente e prova que muitas vezes o barato sai muito caro. Foram 5 dias de muitas decepções, raiva e os piores sentimentos que um ser humano pode experimentar. Tudo começou quando já não aguentava mais os bombardeios fecais dos pombos que habitam a primavera da fachada da minha humilde residência. E o meu pobre carro era o principal alvo. Na porta, no capô, vidro e até o farol eram vítimas da fúria retal destes ratos de asas, verdadeiras pragas urbanas que devem ser exterminadas em um holocausto jamais verificado na história deste planeta. Seus bicos devem ser arrancados com pinças incandescentes, suas asas cortadas com um esmeril afiado com cerol e nanopartículas de urânio, seus ânus costurados com cabos de aço e colados com cola quente recheada com cacos de vidros. Enfim, não sou muito fã de pombos.
Fato é que constantemente precisava limpar as fezes destes seres no carro sob o risco delas secarem e ameaçarem a pintura do veículo. Naturalmente a minha paci…