Cara de sunga


Estava eu a caminho de mais um dia de trabalho, quando passo na frente de uma escola de natação. Até aí, nada de mais, quantas pessoas neste mundo passam por escolas de natação antes de chegar ao trabalho? Às vezes passamos em mais de uma escola e nem nos damos conta disso. Pode até ser que neste momento você esteja lendo a crônica em frente a uma dessas escolas de natação. Mas nem todas as escolas de natação estão necessariamente no caminho do seu trabalho, mas por força de algum imprevisto ou desvio, você acaba passando na frente de uma. Ou mais. Lembrando que estou considerando "na frente" os casos de passar pela lateral da escola ou nos fundos também. Na verdade é algo simbólico o passar na frente, afinal, ninguém vai falar: "hoje passei na lateral da escola de natação quando ia para o trabalho".
Bom, como ia escrevendo, estava passando na frente da escola de natação (literalmente na frente, neste caso), quando me deparo com uma cena no mínimo exótica: um cara saindo do estabelecimento vestindo apenas uma sunga. "Ok, mas ele não estava em uma escola de natação que fica no caminho do seu trabalho? O que tem de exótico em sair de sunga?", perguntaria você. Ok, vou dar um voto de confiança. Bom, ele poderia estar indo em direção ao estacionamento para pegar seu carro, mas não. Ele estava caminhando na rua, em um bairro movimentado do município, em uma cidade que não tem o menor perfil de uma área praiana, sem medo de ser feliz, apenas de sunga e chinelo. Ó, céus, isso não é normal.
"Certo, mas então ele pode morar perto da escola de natação que fica no caminho do seu trabalho e julgou não ser necessário ir de carro ao complexo aquático, não?", retrucaria você, sem entender a razão dessa crônica improdutiva. Pensei isso também, e decidi acompanhar sua caminhada em determinado trecho até que….ele atravessou a rua. Meu Deus, quem, em sã consciência, anda apenas de sunga e chinelo por mais de um quarteirão em uma cidade não-litorânea. Nem ao menos uma mochila nas costas ele tinha, o que comprovava que ele se deslocou de sua casa até a escola de natação que fica no caminho do meu trabalho apenas de sunga e chinelo. E o que é mais grave: no quarteirão seguinte não havia casa alguma. Era um terreno amplo e abandonado, cortado por um córrego. Ele precisaria atravessá-lo para chegar a próxima área residencial. E teria que fazer isso sob os olhares perplexos de motoristas que seguem o caminho do trabalho matinais e de transeuntes que apertam seus passos para chegar a tempo de seus compromissos.
"Sério, não estou entendendo essa consternação exacerbada diante do fato. Muito menos vejo motivo para isso virar uma crônica. Se ainda tivesse pelado, até entenderia", insistiria você, já pensando em abandonar a leitura. Ok, não era uma sunga com uma estampa a la Silvio Santos que bombou essa semana na internet. Era até discreta, mas tinha um fator que descobriria momentos depois e que fará todos vocês, amados leitores, concordarem com minha indignação: Ele pendurava uma toalha de rosto na parte da frente da sunga. E agora, hein? hein? Entenderam a gravidade do fato? É como ver um cavalo andando em duas patas. Ou um casal de marrecos verdes pilotando um Caça F-5 no córrego que fica em frente à escola de natação que fica no caminho do meu trabalho. Não dá pra passar despercebido.
Depois da toalhinha eu resolvi parar de seguir o homem da sunga. Não sei e nem quero saber onde ele mora. Não sei se ele trabalha em casa ou na Samsunga (sério, eu escrevi essa crônica só para fazer essa piada. O fato aconteceu mesmo, mas não vi graça nele até pensar nesse trocadilho. Então vou publicar o texto, que se dane).

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