Entrando numa frila


Ah, o freelance, seu lindo - ou frila para os íntimos. Esse que passeia no limbo entre o amor e ódio, mas sempre nos salva com seu dinheirinho extra. Que faz a gente entrar madrugada a dentro, trabalhar aos fins de semana e mesmo assim com um sorriso no rosto pelo dimdim que não constava em nossa planilha e que será dignamente usado para fins de lazer ou para comprar algo que não fazia parte dos seus planos. Mas nem tudo é glamour na vida dos freelancers. Baseado na minha experiência no assunto (leia-se mercado publicitário, mas creio que valha em todos os segmentos), vou enumerar os 10 tipos básicos de freelances.

Frila Magic Kingdom - É o frila dos sonhos. Quando ele é anunciado, as gaitas de fole tocam e um mundo mágico, onde a felicidade existe e a paz reina absoluta, se abre em sua vida. É questão de poucos dias. O cliente entra em contato, te passa o trabalho (muito simples, por sinal, mas em nenhum momento você sinaliza isso), você estipula um valor mais inflacionado que os contratos públicos da Petrobras, dá 2 dias de prazo (você faz em meia hora), ele aceita, paga no ato, você entrega, ele aprova e some, como em um passe de mágica.

Frilenda - Este, sinceramente, eu acho que  non ecziste! Mas estou escrevendo depois de um longo período de investigação, pistas falsas, desencontros, arquivos secretos e depoimentos in off. O frilenda é mais comum nos grandes centros, mas o coelhinho da páscoa me afirmou que ele já apareceu por estas bandas. O frilenda transforma o freelancer em uma empresa, mas sem os encargos. O cliente, uma multinacional, te contrata por um período, paga o preço da tabela oficial (que tem valores surreais e astronômicos) sem exigir nota e no fim te nomeia como o freelancer oficial, te procurando de tempos em tempos.

Frila da Puta - Este é o mais comum, pelo menos no meu caso. É aquele em que você age como a prostituta mais baixa da boca do lixo na busca de uma pedra de crack usada. Quando o cliente entra em contato você estipula seu valor. Ele, assustado, fala que não esperava tais cifras. E o leilão começa, onde só você dá o lance e sempre pra baixo, até se sentir nojento, sujo, um coliforme fecal com data de validade vencida. Mas garantindo seu trocadinho para comprar 2 latas de cerveja e uma coxinha.

Frila Ping Pong - Uma partida eterna onde quem vence é sempre o cliente. A partida começa com o trivial: contato do cliente, acerto de valores (sempre menor do que você esperava), determinação de prazo e comeeeeeça a partida. Entregou o trabalho, voltou com alteração, entregou, voltou, entregou, aprovou, nãooooo, voltou. Até que você abandona a partida (sem receber nada) e ele vence por W.O.

Frila Pegadinha do Mallandro - Muito, mas muito comum também. Tudo normal na negociação inicial. O briefing parece claro e tranquilo. Mas quando você vai entregar o projeto. Háááá, ié, ié, glu, glu. Novas peças aparecem e o cliente alega que é derivação do que você fez. Você tenta contra-argumentar, mas o cliente te envolve sinalizando a sua participação em novos projetos ou simplesmente ameaçando tirá-lo de você. Você sucumbe e finalmente entrega, depois de ter sua alma consumida pelo demônio da prostituição financeira.

Frila Ponta do Iceberg - Geralmente começa com o contato de um cliente novo e um projeto tímido e quase irrisório. Um cartão de visitas, um folhetinho ou um logotipo, entre outros. Ele vem com a cara de pidão do gato de botas, fala que está no começo, mas que em um primeiro momento tem pouco a oferecer, mas uma grande perspectiva pela frente, onde você está incluso. Preciso dizer o desfecho mesmo?

Frila Cometa Halley - De tempos em tempos ele aparece, deixando um rastro de esperança. Começa como todos. Contato do cliente explicando o projeto - que geralmente é bem interessante - mas que falta alguns detalhes para o start. Você fica de stand by e aguarda…..aguarda….aguarda. Passam-se meses e nenhum contato. Você manda e-mail e a resposta parece ser automática: "Estou aguardando o ok, mas vai rolar". E assim o frila fica girando em órbita de sua vida.

Frila BBB - O extremo da cara de pau e que está brotando nos dias de hoje. O cliente abre um concurso com os candidatos a um projeto único, grandioso. Expectativa de grandes ganhos, de contrato exclusivo, de fama. No site, contagem regressiva para pegar o briefing. O projeto mais criativo ganha. Me recuso a participar.

Frila a ver navios - Começa como o frila Magic Kingdom. Tudo perfeito, as trombetas angelicais celestes anunciam um período de fartura. Você faz mil planos para o dinheiro. Se dedica ao projeto como um filho seu. O cliente exige muito, mas vai reconhecer isso. Você vara noites, abre mão dos fins de semana, mas no final, o resultado te enche de orgulho. Nesse meio tempo passa o Frila Cometa Halley sinalizando o start…mas era alarme falso. Você entrega o projeto, o cliente te elogia efisivamente e combina a data do pagamento….cri cri……cri cri…..cri cri. Nunca mais o dinheiro é visto.

Frila Mercado de Pulgas - Nessa modalidade o dinheiro não existe. A moeda é qualquer coisa. Só não vale dancar homem com homem e nem mulher com mulher. É uma permuta tão descarada que pode ser uma perputa. E eu aceito, claro. A permuta é uma modalidade milenar, traz um sentimento nostálgico. De repente aparece uns vale-lanche, 12% de desconto em roupas e até 1 hora de aula demonstração de Yoga na academia da tia do cliente.

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