Eu, eu mesmo e uma frenética perseguição


Tenho calafrios só de lembrar. Minhas mãos estão trêmulas e mal consigo digitar, mas preciso dividir isso com vocês, estimados leitores. Aconteceu no dia de ontem. Estava voltando do almoço, feliz e satisfeito, quando me deparo com um carro parado no meio da rua. Tudo indicava que ele estava saindo da garagem da sua casa e, por algum motivo, decidiu parar para resolver algo. Isso já provocou minha pequena ira, mas o pior estava por vir: me aproximando um pouco mais do veículo do meliante extirpador da minha paciência percebo que ele simplesmente falava ao celular. Sim, meus pupilos do senhor reitor, o filho de uma que ronca e fuça parou seu carro no meio da via para falar ao telefone móvel. Não tive dúvidas, acumulei energia na mão e pressionei a buzina como se fosse uma sirene antinuclear. Puxei o ar abdominal para efetuar um impropério sonoro. Fiquei a meio corpo para fora do carro e quando passei ao lado do automóvel, a surpresa: um braço troncudo, tatuado, rústico e detonador de motoristinhas apressadinhos. Sim, meus caros, o moçoilo que dirigia o carro tinha um braço que mais parecia um tronco de eucalipto.
Em um breve desvio de olhar, por simples curiosidade, fui conferir quem era o dono daquele braço que poderia tranquilamente servir de perfurador das profundezas mais remotas do pré-sal e só confirmei o que temia: era praticamente um urso que acabou de tomar 5 potes de Whey misturados com RedBull e suco de cacos de vidro flamejante com formigas selvagens da amazônia e uma pitada de pimenta nigeriana.
Fiquei branco, quase transparente, mas não o suficiente para passar imperceptível. Minha vida ficava em slow motion naquele momento, mas a decisão precisava ser efetuada em frações de segunda e poderia custar minha errante vida. Até pensei em lançar um comentário homoafetivo, mas acho que poderia ser pior. Foi então que a ação começou. Ultrapassei o carro dele e assim iniciou-se Velozes e Furiosos, Operação Urso, onde eu era o piloto e co-piloto. Leia e perca seu fôlego. Se quiser, ligue uma trilha sonora agitada para dar mais emoção à leitura.

Eu Mesmo - Cara, pisa nesse acelerador como se não houvesse amanhã
Eu - Calma, preciso pensar
Eu Mesmo - Pensar? O Evil Shrek Detonator em fúria está atrás de você, não há o que pensar
Eu - E o que eu faço?
Eu Mesmo - Vira essa rua, rápido
Eu - Meu Deus, estou com medo
Eu Mesmo - Larga de ser frouxo, é preciso sangue frio e muito raciocínio nessa hora
Eu - Será que ele vai nos alcançar?
Eu Mesmo - Não olhe para trás!! Go, go, go. Vire essa rua.
Eu - Oh, meu deus, um carro de autoescola na nossa frente, vou virar essa rua aqui
Eu Mesmo - Sai da frente, p%$#^%$#!!!!! Vai, aceleraaa!!
Eu - Calma, não me pressiona
Eu Mesmo - Pressão você vai sentir nos seus dentes depois que o Tank Fighter Brainsfire Arms te pegar
Eu - Vou enganá-lo. Vou deixar uma marca de pneu à direita mas virar à esquerda. Minha astúcia vence a força
Eu Mesmo - Chega de virar agora, pega essa rua até o final. Lá na frente pegamos um atalho até o estacionamento do trabalho
Eu - Oh, não, essa rua está interditada por obras. Adeus, mundo cruel. Por favor, meu padim padi çiço, preserve minha vida. Eu não quero morrer, eu não quero morrer!!
Eu Mesmo - Que papelão, tenho vergonha de ser o eu mesmo de um narigudo frutinha. Dá meia volta e entra naquela rua.
Eu - Eu não aguento mais esse pesadelo, estou tendo um piripaque.
Eu Mesmo - Vai, bicho, ele não está atrás da gente por enquanto
Eu - Pai Nosso que estais no céu…
Eu Mesmo - Não é hora de missa e, sim, de uma missão. Goooooo, soldier
Eu - Yes, we can….rrrrrrrrrrr, shhhh (derrapada de pneu)
Eu Mesmo - Isso, Mauro, é assim que os corajosos devem agir
Eu - Não tenho medo, vou pro trabalho e passar por cima de quem atravessar o meu caminho

Depois dessa aventura de cerca de 4 minutos, cheguei a poucos metros do estacionamento e, para minha surpresa, cruzei com o urso. Ele dirigia calmamente, falando ao celular, e não deu a mínima importância para minha presença. Talvez nem tenha ligado o nome a pessoa. Foi quando concluí que não houve perseguição. Tudo foi um teatro dos horrores com um só protagonista. É isso aí, ele percebeu que seria um erro me perseguir. Prudência e respeito não fazem mal a ninguém.

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