Ouro Branco (crônica retrô)


Ando tendo um flerte com o bombom Ouro Branco, aquele que é o Sonho de Valsa ao contrário – chocolate branco com recheio de chocolate afro-descendente. Acontece que sempre fui fiel – ok, com algumas puladas de cerca – ao Sonho de Valsa: ele sempre foi o meu preferido na hora de adoçar a boca. Eu chegava ao cúmulo de comprar um pacote de 1 kg somente para consumo próprio e que, pasmém, não durava sequer uma semana. Após os almoços e jantares eu não abria mão deste chocolatinho dos deuses, do good good of paradise. Ficar sem o sonho de valsa era um "pesadelo de heavy metal".

Mas como em todo relacionamento, a rotina era um inimigo perigoso. Talvez por saber que eu me derretia por ele, o sonho de valsa começou a não cultivar este amor, achando que eu já estava dominado. Era um dia em que ele não estava tão crocante, outro em que estava tão mole que não me dava prazer (ui!) e outro em que estava todo quebradiço e seco. Eu sentia que o que antes era fantasia estava tornando-se usual. E não era essa a proposta inicial que me seduziu. A fornicação alimentar deixou de ter o sentido de orgasmo emocional para ser um simples ato de saciar a fome, sem nenhum sentimento.

Eu continuei a dar crédito, já que não se apaga uma linda história assim, do dia para a noite. Tentei conversar com o bombom, mas ele alegou que não tinha tempo já que precisava ser distribuído para o país inteiro. Pronto, virou estrelinha, perdeu a humildade. Eu posso afirmar que sou um dos únicos que degustou esse bombom com a pureza e intensidade de um verdadeiro amor. Não foi um "lancy" qualquer. Comprei um lindo anel de "diamante negro" para ele, fomos viajar para os montes "alpinos" na suíça (ele adorou tanto que pediu "bis") e ainda dei força para ele explorar o seu "talento" como dançarino de valsa. E hoje tenho a "sensação" de que isso não valeu nada. Realmente perdi meu "prestígio" com ele.

Tamanha ingratidão não me deu outra alternativa senão partir para outra. E certo dia conheci o Ouro Branco. Tá certo, ele é totalmente oposto ao Sonho de Valsa, mas em meu momento de carência ele caiu como uma luva. Ele foi tão bom bom pra mim. E o que era um caso eventual vem se transformando em algo mais forte. Hoje não passo um só almoço sem fazer amor alimentar com ele. Não sei como será a evolução desse relacionamento, mas o fato é que toda a assistência cacaueira que necessito está sendo oferecida de maneira eficiente. É....sinto que o sonho acabou! O sonho de valsa dançou! Chega de sonhar, eu quero ser o primeiro, eu quero é OURO!

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