Qual o seu preço?


Essa aconteceu há um bom tempo mas certamente pode se aplicar em qualquer época. Era mais uma tarde típica de trabalho em uma agência de propaganda e, entre um job e outro, os criativos conversavam amenidades. O bate-papo entre profissionais da criação não é diferente do papo de qualquer outro tipo de profissional, mas normalmente é mais carregado de besteiras, humor e exageros. E nesse dia iniciou-se uma conversa que afirmo, com total certeza, já permeou o universo masculino: até onde você chegaria por dinheiro. Na roda estavam eu e mais 2 colegas e vou tentar retratar basicamente como foi.

Pessoa 1 - Pessoal, se te oferecessem R$ 200 para fazer um sexo homossexual, vocês aceitariam? (sim, a conversa foi iniciada assim mesmo, do nada).

Pessoa 2 - Tá louco? Pirou? Que conversa é essa?

Eu - Pode se abrir. Você recebeu essa proposta e está tentado em aceitar?

Pessoa 1 - Não, claro que não. É só uma dúvida. E por R$ 500?

Pessoa 2 - Cara, qual o seu problema? Por dinheiro nenhum eu aceitaria

Eu - Certeza que recebeu uma proposta, sua bicha

Pessoa 1 - Estou só perguntando. Vocês nunca se questionaram sobre isso?

Pessoa 2 - Cara, seu anel deve estar coçando, mas não é hora de sair do armário. Faz isso longe daqui.

Eu - Cara, você tá precisando de grana? Fala que fazemos uma vaquinha.

Pessoa 1 - R$ 1.000?

Pessoa 2 - Ok, você quer brincar, vamos nessa. Com quem seria a transa?

Eu - Não pode ser o Kid Bengala. Os R$ 1.000,00 não cobrem a cirurgia de reparação anal.

Pessoa 1 - Não, pensei em um homem qualquer. Mas teria que ser uma noite inteira.

Pessoa 2 - Por R$ 1.000? Tá louco? E a honra?

Eu - Ô gente, vocês estão brincando, né? Vamos mudar o rumo disso?

Pessoa 1 - R$ 5.000. Que tal?

Pessoa 2 - Mas esse cara é um desconhecido, né? Tipo, nunca mais veria ele e o segredo seria preservado, certo?

Eu - Afrodescendente ou normal?

Pessoa 1 - Sei lá, normal. Pode ser um desconhecido, mas vai rolar beijo na boca antes.

Pessoa 2 - Nem fo%$&^%#, beijo na boca nunca.

Eu - Credo cara, não pode rolar sentimento.

Pessoa 1 - Ok, R$ 10.000,00 com o beijo.

Pessoa 2 - De língua?

Eu - R$ 10.000 à vista?

Pessoa 1 - Sim, à vista. E o beijo de língua com direito à roçar a barba no seu pescoço e pelos do peito grudados na sua boca.

Pessoa 2 - Credo, que nojo. Chega, parei a brincadeira.

Eu - Você tá complicando a coisa. Era para ser uma transa casual e agora está ganhando ares de romance gay.

Pessoa 1 - Ok, R$ 50.000 pro pacote completo.

Pessoa 2 - Defina-me pacote completo. Continua sendo por uma noite, né?

Eu - Isso, estou curioso

Pessoa 1 - Sim, uma noite. Mas como se fosse com a mulher dos seus sonhos, com direito à vinho, música, dança, strip, vela quente, tapinhas e tudo mais

Pessoa 2 - Não, eu não posso suportar tudo isso, é muito insano

Eu - Não pode ser R$ 100.000?

Pessoa 1 - Tá, pode sim. Mas daí vai filmar e colocar no You Tube.

Pessoa 2 - Ok, eu coloco máscara

Eu - Eu precisaria esconder minhas tatuagens.

Pessoa 1 - Não pode se esconder, não. É com a cara e a coragem.

Pessoa 2 - Ah, não. Aí você me complica. R$ 100.000 não pagam os efeitos colaterais dessa aventura ridícula. Aliás, nem sei porque esse papo foi tão longe.

Eu - É, melhora essa oferta aí.

Pessoa 1 - 1 milhão.

Pessoa 2 - ….

Eu - ….

Pessoa 1 - E aí?

Pessoa 2 - Com camisinha, né?

Eu - Não vai ter animais no meio, né?

Após muitas gargalhadas, o papo se encerrou. Ah, e os valores citados foram superfaturados e não necessariamente condizem com a realidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O negão da piroca

Sábio guru

Vaguinha difícil