Roberto Justus (crônica retrô)


Eu tenho medo do Roberto Justus. Tenho calafrios múltiplos ao ver sua imagem na TV. Considero ele o verdadeiro mensageiro das trevas globalizadas. Na minha opinião, o programa "O Aprendiz", exibido na
Record, deixa Freddy krueger, Jason e outros vilões consagrados do terror parecidos com gasparzinho, o fantasminha camarada. Justus é implacável, intolerante, irredutível, seu olhar disseca a alma e definha os órgãos vitais dos concorrentes até que suas energias se esgotem, seus sanguem sequem e os ossos virem pó de marfim. Para ser sócio de Justus é preciso vender o espírito para um brechó no inferno em 3 vezes sem juros no Visa e entrada para Novembro.

Justus é o Capitão Nascimento do business. E ele não pede pra sair. Demite sem dó, de maneira fria e calculista. O inferno de Dante inicia com provas que testam o limite humano, provocam intrigas, obrigam o
participante a abdicar de suas emoções e fazem o aprendiz conviver com a pressão esmagadora de seus piores medos e traumas. E mesmo depois de sobreviver, a equipe ainda tem que encarar o veredito inflamante de
Justus e seus conselheiros do mal. À equipe vencedora, uma viagem a um lugar paradisíaco. Mas não se deixe enganar: a viagem é o típico silêncio que precede o esporro. Após o descanso, os "jogadores" enfrentam a exigência trucidante de Justus na próxima tarefa. Os perdedores da prova enfrentarão o pior pesadelo: enfrentar Justus na sala de reunião.

A sala é a pior parte. Dá um frio na espinha ver Justus entrar com aquele semblante demoníaco, aquele topete pronto para disparar torpedos flambados, aquele olhar que petrifica as veias coronárias e sua postura impecável de torturador medieval. Ao sentar-se, Justus encara os perdedores com desdém, julgando cada um com desprezo e apontando friamente cada defeito sem chance nenhuma para réplicas. E mesmo que o concorrente tente argumentar, Justus escracha, pisoteia e coloca o infeliz em seu devido lugar, fazendo-o sentir um coliforme fecal desprovido de movimentos.

Quando ouço os participantes do Big Brother dizerem que não é para qualquer um ficar confinado em uma casa com câmeras por todos os lados, eu fico imaginando qualquer um deles encarando a fúria CEO de Justus. Vocês são moleques. Enfrentar Bial, confessionário, prova do líder e paredão é brincadeira de criança perto de sofrer as pressões psicológicas de Robert Fair. Posso ser fuzilado por soldados iraquianos, devorado por pitbulls famintos ou jogado de cima da Torre Eiffel, mas não me peça para entrar em uma sala de reunião com Justus.

O Aprendiz não é um Reality Show, é um Nightmare Show. As pessoas sonham em participar e rezam para sair ilesas moralmente. Os demitidos saem com a auto-estima lá embaixo e fatalmente não conseguirão uma mera colocação como assistente de estagiário de barraca de pastel em jogo do XV de Piracicaba contra o Bandeirante de Birigui. Ser demitido por Justus dá a mesma sensação de uma espada nórdica, cravejada de
diamantes, fincada no pâncreas.

Estou tentando pensar em um desfecho decente para essa crônica, mas não veio nada. Então ela vai acabar assim.

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