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Mostrando postagens de Março, 2015

Planeta Extremo

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7 horas da manhã. Soa o alarme. É hora de começar talvez a aventura mais extrema da minha vida. Preciso acordar e ir para mais um dia de trabalho. Mas sair da cama não vai ser um trabalho tão fácil como imaginei. O colchão já adquiriu a forma de meu corpo e vencer os limites da espuma vai exigir muito de meus músculos. A fadiga matinal impede que eu vença a fofura envolvente do local onde hibernei por 7 horas.

Dr Hanz Chucrutz, neurologista e especialista em traumas musculares da Universidade de Massachussets - "O colchão, quando chega ao nível de envolver o corpo, altera as conexões do neurônio e provoca a maciez muscular, dificultando os movimentos. Levantar torna-se uma tarefa árdua que só atletas de alta performance conseguem, ainda assim a um custo muito alto, podendo acarretar em graves traumas"

Tento me revirar de um lado para outro, em busca de impulso para sair da armadilha. Mas a cama é Queen Size e sua vasta área provoca um desespero em mim. Cada metro quadrado é …

Ingredientes malditos

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Eu sou um cara fresco para comer, confesso. Tenho uma lista significatica de produtos alimentícios que não agradam meu nobre paladar. Ir ao restaurante com minha esposa é um sofrimento para ela, coitada. Sempre o mesmo cardápio, sempre a mesma ladainha. E olha que na infância eu comia de tudo, era um exemplo de criança, mas o tempo foi passando e fui construindo o seleto grupo de itens que fariam parte das minhas refeições dali em diante.
Mas o fato é que não é simples assim. Enquanto eu estiver sob o teto de meu lar, eu posso desfrutar da comida que me agrada, mas sempre estaria sob risco de enfrentar situações inóspitas às diferentes mesas que frequento.
A situação é tão séria que posso afirmar categoricamente que 80% dos pratos, se feitos à maneira tradicional, terá ao menos um ingrediente que me desagrada. Entre eles: milho, champignon, frutos do mar, legumes, saladas, frutas (a maioria), etc e muitos etceteras mais. É, amigo, eu disse que a coisa era séria.
Tal particularidade m…

Lei da Circularidade (crônica retrô)

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Olha que interessante. Estava mexendo com uma caneta, daquelas que você abre para tirar a carga. Daí eu fiquei brincando de abrir e fechar, abrir e fechar. De repente veio uma luz típica dos gênios, como o "eureka" de Einstein e a maçã de Isaac Newton. Eu percebi que para abrí-la é necessário fazer um movimento circular anti-horário e para fechá-la, horário. O genial é que isso é universal. Todo gênio deve comprovar sua teoria na prática. E lá fui eu, rumo à cozinha, testar este teorema na torneira. Uau! É a pura verdade. Abri no sentido anti-horário e fechei no horário. Fui além. Testei uma porca e parafuso. Mesma coisa. Preciso divulgar ao mundo:
Lei da circularidade de abertura e fechadura relacionada com padrões temporais horárias movimentacionais definitiva originada de referência esferográfica de Mauro, o eterno.
"Toda matéria, de características giratórias, possue a semelhança movimentacional equivalente e universal. O padrão internacional deste dispositivo só per…

Voo radical

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Mosk J. Fly não era um pernilongo comum. Nascido em um terreno baldio no litoral norte de São Paulo, Mosk gostava de viver aventuras arriscadas. No mesmo dia que nasceu, escapou de ser trucidado por um trator que recolhia os entulhos da área onde veio ao mundo. Infelizmente seus outros 237 irmãos não resistiram aos ferimentos.
Ele não era daqueles que vivia sob as asas da mãe. Procurava ser independente, para desespero total dela. "Filho, você não está vendo que os humanos estão de marcação com a gente com a epidemia da dengue? Toma cuidado", dizia aflita Dona Aedes. Mas Mosk não aceitava ter uma vida fadada a se alimentar de seivas e lixo. Ele queria sangue humano. Mas não qualquer sangue, ele queria de humanos perigosos, que dedicavam minutos para matar sua espécie. Para isso, ele voava por terras inóspitas deste Brasil de meu Deus, sempre procurando o contato fervoroso com humanos sedentos pelo odor da morte destes insetos.
Mas Mosk não era totalmente louco. Para encarar…

O buraco

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Se Stephen King ler essa crônica, certamente usará de referência para sua próxima película. Tudo aconteceu na noite de um domingo aparentemente pacato. Estávamos preparando um jantar leve, quando lá da cozinha minha esposa gritou: "amor, pode vir aqui um minuto?". Pedi para que ela esperasse um pouco, pois estava vendo uma reportagem no Fantástico. Quando a matéria terminou, fui ao encontro dela, para prontamente auxiliá-la. Mas dessa vez não era um favor. Ela apontou para a parede, logo abaixo do mármore da bancada da pia, e questionou: "esse buraco já existia?". Quando acompanhei a direção de seu dedo indicador, avistei o buraco mencionado. Era um buraco de cerca de 10 cm de largura e X de profundidade. Na hora me recordei que talvez tivesse visto, sim, o buraco. Afirmei que ele estava ali desde que nos mudamos para a casa. Fomos jantar e o assunto ali mesmo foi encerrado.
Comi, repeti o prato, terminei e levei os apetrechos alimentícios para se juntar à louça d…

Pobre Ritinha (crônica retrô)

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Ritinha era uma linda menina de família muito pobre. Seu pai, Juvêncio, trabalhava como assistente de gari, em meio período, para ganhar seus míseros 88 reais por mês. Sua mãe, Abelarda, era doente e não podia trabalhar por recomendação do médico do SUS. Eles viviam de aluguel, em um barraco na periferia de Diadema/SP, sob condições desumanas de higiene, alimentação e infra-estrutura. Era mais uma típica miserável família brasileira.
Voltando à Ritinha, a menina tinha uma particularidade que fatalmente tornar-se-ia um problema para Juvêncio. Ela era ambiciosa e materialista, porém, muito amorosa com os pais. Certo dia, já desiludida com a situação financeira da família, Ritinha chegou para o pai e pediu um computador com acesso à internet. O pai prontamente respondeu: "Filha, você sabe que isso não é para a gente. Mal temos dinheiro para comer. Tente ser compreensiva". A filha, visivelmente irritada, correu aos berros para o seu quarto. O pai, tranquilo, acreditou que o pedid…

Eclipse, Superlua, Equinócio e outros baratos

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Ontem fui surpreendido com uma notícia deveras peculiar: hoje um conjunto de fenômenos aconteceria em nosso planeta, fato raríssimo nos anais da astronomia. O combo universal engloba a superlua (quando a lua tem a menor distância da Terra), o eclipse total do sol e o equinócio de outono (quando dia e noite tem a mesma duração). Confesso que não dei muita importância e segui meu dia normalmente. Mas hoje vou narrar meu dia e vocês analisam se algo estranho ocorreu, ok?
Bom, são 7 horas da manhã, estou acordando e a priori nada de anormal. Então vou me aprontar que hoje o dia vai ser corrido.

- Bom dia, salamandra, o que me conta?
- 1, 2, 3 e 4
- Fatos estes que cativam o senhor das falésias, só um toque
- Carpe diem, my lord

O que me intriga é que os astrônomos tratam estes fenômenos raros como algo que pode mudar o curso da humanidade. O que vai mudar em nossas vidas o dia e a noite terem a mesma duração? Vamos ver as notícias desse jornal aquático que encontra-se dentro de meu forno…

50 tons de roxo

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Silvia de Cunha e Albuquerque era uma importante socialite paulistana. Dona de diversos empreendimentos do segmento fashion, tinha tudo para ser uma pessoa feliz e realizada, mas desde que perdeu seu marido, atacado por leões albinos em um safari em Botswana, Silvia sentia um vazio em seu coração. A agitação de sua vida não era suficiente para fazê-la esquecer os bons momentos ao lado de Henri de Orleans Albuquerque.
Certo dia, chegando em uma de suas empresas, Silvia encontrou sua sócia, aflita, em sua sala. Ao questionar o motivo, a CFO (Chief Financial Office) revelou que seu filho sofrera um terrível acidente e teria que correr ao hospital, mas um problema teria que ser resolvido: em poucos minutos ocorreria uma importante reunião com clientes holandeses, que poderia significar o maior negócio fechado de todos os tempos. Silvia tratou de acalmar sua sócia, dizendo que conduziria essa reunião. Aos prantos, ela agradeceu o imenso favor.
Silvia deu um tapa no visual no pouco tempo q…

Mix de novelas (crônica retrô)

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Maledeto Berdinazzi e Farabuto Bertolotto eram rivais históricos. Eram patriarcas de famílias no interior de São Paulo, na época da imigração italiana. O ódio entre os dois era tão grande que se algum membro da família citasse o sobrenome em algum lampejo, sofreria um castigo cruel: A língua seria decepada por uma faca Ginsu 2000. Por ironia do destino, Francisco Maledetinho e Joana Farabutona se apaixonaram e viveram um amor improvável e arriscado. Com medo da punição, os dois fugiram para Guadalajara, no México, para viver o grande amor.

Chegando ao México, foram abordados pela Polícia Federal que tinha uma notícia bombástica: Na verdade, Joana e Francisco eram irmãos, filhos da mãe de Joana, com o pai de Francisco e uma certa dose de sêmen do mordomo do prefeito da cidade de origem dos dois. Para completar, Joana descobriu que o mordomo, na verdade, era seu verdadeiro pai, já que ele tivera um caso com sua mãe no carnaval de 1889 em Viena. E como tragédia pouca é bobagem, Joana com…

Os iluminados

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Recentemente o Domingão do Faustão lançou mais um de seus quadros "incríveis", Os Iluminados. A mecânica é simples: rola uma música e cada candidato canta um trecho quando a luz se acender para ele. Daí os jurados e a plateia decidem quem é o vencedor. E assim como fiz com a Dança dos Famosos e a Dança no Gelo, vou enumerar os 10 motivos para odiar essa nova atração dominical.

1 - É apresentada pelo Faustão - esse fato por si só já é suficiente para odiar. O cara não deixa ninguém falar, faz comentários óbvios para os jurados e ainda por cima complementa com piadelas estilo: O candidato tem que saber pegar no microfone, bicho!

2 - O juri é de qualidade duvidosa - vocalista da banda Malta, Bruno (da dupla com Marrone), Sorocaba. Pelo amor de Deus, né? Dou mais credibilidade a Elke Maravilha, Pedro de Lara e Aracy de Almeida.

3 - Voto popular - Como confiar em quem vota em Anita como melhor cantora e Chay Suede melhor ator entre outras atrocidades? Poderia até citar sobre o voto…

Crueldade

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Quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela. Essa máxima popular se aplicou perfeitamente a semana passada na agência onde trabalho. Meu parceiro de criação (hummm, isso soou meio estranho), até então um profissional pacato e centrado, se revelou um ser humano frio e calculista. E olha que já são mais de 3 anos trabalhando juntos, o suficiente para conhecer seu perfil.
Era mais um dia normal de trabalho e, em certa hora da tarde, uma abelha começou a sobrevoar a criação. O voo panorâmico durou alguns segundos até que voltei minha atenção ao job designado a este que vos escreve. Li, pesquisei na internet, fiz algumas opções e logo tudo estava resolvido e aprovado. Nesse meio tempo fiquei navegando na internet quando ouço um sussurro que misturava uma suave risada de sarcasmo e um grunhido malévolo de alguém sem coração.
Meio assustado e muito curioso, olhei disfarçadamente para saber do que se tratava e logo vi a cena: a abelha que sobrevoava o ambiente caiu involuntariamente no teclado …

Primeira piada do mundo (crônica retrô)

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Estava perambulando pelos portais da internet, quando me deparei com uma notícia deveras atípica: Pesquisadores da Universidade Anedótica de Londres descobriram o que acreditam ser a primeira piada contada em nosso planeta. A anedota mais velha do mundo remonta a 1900 a.C. E sugere que o humor escatológico era tão popular nessa época quanto é hoje. Segundo pesquisa, a piada surgiu entre os sumérios, que viveram no que é hoje o sul do Iraque. Preparados para a anedota?

"Algo que nunca aconteceu desde o começo dos tempos: uma mulher nunca soltou um pum no colo do marido".

Parei, li, tentei interpretar, mas não deu. Que piada é essa? Quem foi o fanfarrão que lançou esta anedota? Provavelmente Aristóteles Toledus. Não é possível que os sumérios, depois de uma longa e cansativa peregrinação sob o sol escaldante do Iraque, tenham suportado ouvir tamanha asneira. Aposto que era aquele típico folgado, que não ajudava a carregar as tralhas, vivia reclamando e atormentava com comentár…

Balada selvagem

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Muito, mas muito antes mesmo da febre das baladas sertanejas, uma casa noturna se tornou a sensação da minha época de solteiro, o Country Ville Piracicabano, na região de Americana/SP. Íamos em grande turma, toda sexta-feira. E ao invés de descrever o local da maneira tradicional, vou explorar a casa noturna contando o acontecido em um dia específico, quando convencemos um grande amigo na época a encarar a noite no Piracicabano.
Ele era um amigo de gostos mais requintados. Curtia locais com pessoas bonitas, cocktails diferenciados e ambiente agradável acompanhado de boa música. Um autêntico playboy, bon-vivant. Quando citamos essa nova balada, mesmo ressaltando que estava distante cerca de 100 km de sua terra natal, Itu/SP, ele mostrou uma empolgação sem igual. Inclusive disse que as baladas sertanejas estavam começando a cair no gosto da nata da sociedade paulistana. Eu tentei explicar que talvez não fosse bem o que ele imaginava, mas sua felicidade em curtir aquela noite não me dei…

Só faltou um pouco de malandragem

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Namorado de primeira viagem sempre paga mico. Não sei se existe esse ditado, mas se aplica perfeitamente a mim. Nunca fui de namoros sérios até conhecer minha atual esposa. E essa inexperiência quase custou o fim do relacionamento.
Foi exatamente no dia 12/06/2005, o meu primeiro dia dos namorados com ela. Combinamos de nos encontrarmos após o trabalho para jantarmos em algum restaurante romântico. Perto do fim do expediente me ocorreu algo que é óbvio para qualquer casal de namorados, mas naquele momento não me era assim, tão natural: Deveria comprar um presente para ela. Eu precisava, então, correr até o shopping e escolher algo antes de chegar na casa dela no horário marcado. E, neste caso, chegar atrasado me complicaria por 2 motivos: O primeiro por não ser pontual e o segundo por transparecer que lembrei em cima da hora de comprar algo, fazendo cair por terra todo o romantismo da data.
Consegui sair um pouco mais cedo da agência e fui voando ao shopping. Chegando lá, um problema…

Saúde bucal (crônica retrô)

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Ontem estava tranquilo e sereno assistindo TV quando me deparo com um "reclame" de um antiséptico bucal que não vou mencionar o nome por não receber o famoso "jabá". Vocês já devem ter visto comerciais com produtos que prometem acabar com bactérias ou germes prejudiciais à saúde e à nossa higiene, não é mesmo? Pois bem, o argumento deste produto foi o mesmo.

Em um quadro comparativo, foram mostradas as ações do concorrente e do antiséptico em questão. Na primeira metade da tela, o líquido não acabava nem com 20% dos monstros microscópicos e na tela ao lado, o produto varria a boca como um furacão de limpeza e frescor. Não sobrava quase nada. Eis o problema. O produto não é 100% eficiente. Podem reparar, em todos os comerciais sempre sobram 1 ou 2 bactérias. E daí? Você pensa. Em nossa boca devem existir milhares de bactérias, não são 1 ou 2 que vão nos destruir, não é mesmo? Não! E eu explico.

São justamente essas bactérias sobreviventes os grandes problemas para o …

Adrenalina

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Talvez essa seja uma das grandes histórias da minha vida. Não, não envolve conquistas, desafios, superações, sangue, suor e lágrimas. Quer dizer...acho que tem, sim, um pouco de tudo isso.
Foi uma noite em meados de 2002, não lembro ao certo. Chegava de uma balada, por volta das 2h da madrugada, completamente trastornado no quesito álcool, e fui urinar antes de dormir. Após algumas cambaleadas e remelexos, consegui mirar o vaso. Feito o serviço, uma sacudida para tirar as gotas remanescentes e levantei o zíper da calça. Na hora eu não havia percebido, mas essa levantada de zíper não foi uma qualquer. Bastaram alguns passos para perceber que algo não estava certo. Uma fisgada que começava na zona erógena e terminava no calcanhar. Eu desconfiava o motivo, mas não queria acreditar. Cada passo, uma lágrima. Sim, amigos, o zíper havia engatado em meu pintinho amarelinho. Mas eu não poderia fraquejar, precisava ver o tamanho do prejuízo. Em uma breve olhadela, vi que dos males ocorreu o me…