Saúde bucal (crônica retrô)


Ontem estava tranquilo e sereno assistindo TV quando me deparo com um "reclame" de um antiséptico bucal que não vou mencionar o nome por não receber o famoso "jabá". Vocês já devem ter visto comerciais com produtos que prometem acabar com bactérias ou germes prejudiciais à saúde e à nossa higiene, não é mesmo? Pois bem, o argumento deste produto foi o mesmo.

Em um quadro comparativo, foram mostradas as ações do concorrente e do antiséptico em questão. Na primeira metade da tela, o líquido não acabava nem com 20% dos monstros microscópicos e na tela ao lado, o produto varria a boca como um furacão de limpeza e frescor. Não sobrava quase nada. Eis o problema. O produto não é 100% eficiente. Podem reparar, em todos os comerciais sempre sobram 1 ou 2 bactérias. E daí? Você pensa. Em nossa boca devem existir milhares de bactérias, não são 1 ou 2 que vão nos destruir, não é mesmo? Não! E eu explico.

São justamente essas bactérias sobreviventes os grandes problemas para o futuro bucal. Primeiro que elas estão sob forte stress, já que acabaram de perder milhares de parentes e amigos em uma chacina cruel e avassaladora. Isso significa que seus sentimentos de vingança irão aflorar de forma intensa. Pior se forem 2 ou mais as que conseguiram escapar da execução. Elas se unirão, com ódio exacerbado, para destruir tudo que virem pela frente. Formar-se-á uma quadrilha bacteriana de Chuck Norris kamikases-bomba bucais. Uma verdadeira ogiva nuclear percorrendo nossas papilas gustativas.

O segundo e não menos importante risco é que, a cada ingestão do antiséptico bucal, as bactérias vão criando resistência e tornando-se mutantes com muito mais força e poderes especiais. Agora, imagine uma pessoa que tem o hábito de usar o produto diariamente há mais de 10 anos, por exemplo. Este indivíduo é capaz de derrubar um porta-aviões com a força de seu hálito. Isso nos faz entrar em outra questão: algumas pessoas conseguem dominar e até domesticar essas super-bactérias mutantes. Quem é que nunca viu homens puxando caminhões ou qualquer objeto pesado com os dentes? Pois é, ou você acha que nossos dentes suportariam tamanho esforço. Está comprovado cientificamente que não.

Mas não se iludam: domesticar uma bactéria não é tão simples. Lembre-se, você acabou de dizimar seus parentes e amigos. E recuperar a confiança é um trabalho árduo e nem sempre compensador. Por isso, meus amigos, tomem cuidado com a utilização dos antisépticos. Eles podem até lhe auxiliar na higiene bucal, mas o trauma deixado é enorme. Elas são vingativas, sujas e não pensarão duas vezes antes de acabar com sua boca.

Mas como Entre o Bem e o Mauro não dá nó em pingo d´água, tenho uma solução eficiente que otimiza a ação dos antisépticos. Beba algumas latas ou garrafas de cerveja (mas não dirija depois disso). As bactérias ficarão embriagadas e com baixa resistência. Daí você aplica o produto. Não vai sobrar nenhuma para contar a história.

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