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Mostrando postagens de Abril, 2015

Sensacionalista (crônica retrô)

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Mais uma da série "fatos que me deixam estarrecido". Hoje de manhã li a notícia que Luma de Oliveira estava com o joelho machucado. E como se não bastasse, ela estava andando no calçadão de uma praia carioca com a proteção de uma simples joelheira. Você é louca, Luma? Não pode brincar com uma coisa tão séria. Seu joelho está ferido, pode inflamar. Tinha que estar de repouso. Ai meu deus, me deu calafrio ao ler essa notícia. Você não podia fazer isso comigo.
Já pensou se você tropeça em um desnível da calçada e torce ainda mais? Ou pior, você resolve dar uns trotes e pisa em falso em um côco. Não quero nem pensar. Nem parece que é uma mãe de família, bem-sucedida e admirada. Parece que tem uma ervilha murcha no lugar do cérebro. Que ingenuidade a sua achar que o simples fato de usar uma joelheira te condiciona a caminhar pelo calçadão. Onde você está com a cabeça?
E não adianta querer desmentir o fato. Ele foi devidamente registrado por um fotógrafo profissional incumbido de fl…

Missão: encontro com Dilma

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Brasilildo de Souza Silva era um homem determinado. E não estava contente com a situação do nosso país. Escândalos de corrupção, altos índices de violência, saúde precária, falta de infraestrutura, educação vergonhosa, enfim, motivos não faltavam para que ele se revoltasse. E diferentemente da maioria da população, que via nas redes sociais a solução para todos os problemas, Brasilildo preferia fazer à velha maneira. Sair à rua, manifestar seu descontentamento, olhar nos olhos e falar na cara.
Acontece que ultimamente houve uma explosão de escândalos e a população se via sem forças para lutar, já que a impunidade protegia os desonestos. Isso irritou profundamente Brasilildo que tomou uma decisão drástica: ir à Brasília, conversar com a presidente Dilma. Ele precisava exercer o seu patriotismo em sua plenitude.
A família, em princípio, foi contra essa "loucura", afinal, mais de 1500 km separavam Caxias do Sul/RS, sua terra natal, da capital federal. Isso significava, no míni…

Pop-up

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Essa aconteceu bem no início da minha carreira. Não era estagiário, mas o fato foi digno de um. Trabalhava em uma agência que começava a dar seus primeiros passos no mercado e a dona vivia na rua, hora prospectando novos clientes, hora cultivando os que já tinha. Estávamos acomodados em uma microsala, com pouco mais de 15 m2, onde trabalhavam, além de mim e a dona, uma espécie de assistente da CEO.
Logo no primeiro horário de um certo dia, a dona e sua assistente marcaram uma importante reunião com um prospect em uma cidade relativamente longe daqui e que fatalmente preencheria o dia delas, ou seja, estaria sozinho na agência naquela ocasião, um convite à vadiagem. Já organizava minha agenda do que faria a partir de então. Incluía coisas como almoço estendido, telefonemas para amigos, jogos para PC, saída rápida para um sorvetinho no shopping, entre outras coisas. Quem visse a minha expressão ao saber que estaria sozinho, desfrutando da liberdade laboral, certamente diria: está com c…

O verdadeiro King Kong (crônica retrô)

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Ontem, no Fantástico, o que poderia ser uma das matérias mais interessantes apresentadas pelo programa dominical transformou-se em um dos principais fiascos televisivos de todos os tempos. E olha que a revista eletrônica tentou maquiar o medíocre desfecho da reportagem sobre o "verdadeiro King Kong".
Confesso que a chamada da atração me despertou curiosidade. E os ingredientes eram muitos para atrair meu desejo de ver a busca por imagens exclusivas do King Kong: trilhas quilométricas, florestas selvagens, gorilas perigosos e animais famintos, entre outros atributos que davam um ar de "pura adrenalina" à missão.
Estava ansioso, então, para ver a caça ao mais temível dos animais, o rei da selvageria, o algoz das espécies, o brutamonte peludo, o primata sedento por sangue humano, o destruidor de edifícios e aviões, o sequestrador de mocinhas indefesas, enfim, o pesadelo dos pesadelos.
Nisso, vale destacar a coragem do enviado global e seu intépido cinegrafista, que tinha…

Entrevista com o tornado de Xanxerê

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Nesta semana, algumas cidades catarinenses sofreram com a passagem de um tornado que deixou um rastro de destruição, principalmente em Xanxerê. Poucos esperavam que o país fosse atacado por este fenômeno da natureza e todos gostariam de saber porque aconteceu.
Pois bem, em mais um furo de reportagem, Entre o Bem e o Mauro conseguiu uma entrevista exclusiva com o tornado, que fez muitas revelações. Veja a seguir:
Mauro – E aí, tornado, que bons ventos o traz? Tornado – Ah, estou rodando por aí Mauro – Você não se cansa de levar destruição por onde passa? Tornado – Destruição? Que exagero! Está fazendo tempestade em copo d´água Mauro – Você veio sozinho? Tornado – Não, trouxe minha mulher, Hilda Furacão Mauro – Hum, então está apaixonado? Tornado – Sim, ela me deixa sem ar Mauro – E como se conheceram? Tornado – Em Buenos Aires. Estávamos em uma boate. Quando tocou Loves in the Air, ela olhou pra mim, eu olhei pra ela... Mauro – E foram para o motel? Tornado – Não, antes passamos em um restaurante i…

Beavis, Butthead and Teletubbies

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Eu deveria ter vergonha de relatar esse fato em minha vida. Mas não tenho. Aconteceu em meados de 2003, quando morava em Fortaleza/CE. Na época eu dividia o teto temporariamente com um grande amigo de infância, até que eu achasse um local definitivo para morar. Estava recém chegado à cidade, conhecida por suas belas praias, vida noturna agitada, sol praticamente o ano inteiro, enfim, um convite ao curtir a vida adoidado.
Em um fim de semana qualquer recebemos um convite para uma big festa, open bar, high society, beautiful people, all inclusive, VIP e crazy little thing called love. Claro, não recusamos. E como lobos famintos, abusamos de tudo. Resultado: a partir de certa hora da madrugada, não lembramos de nada e os anjos da guarda nos conduziram de volta ao lar. Se aconteceu algo que merecesse uma crônica, sinceramente foi apagada da minha memória.
Por volta das 9h31 do domingo, acordei com o sentimento de ser atropelado por uma Scania, que transportava produto inflamável, desgove…

7 hábitos das pessoas bem-sucedidas que você deve copiar

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A autoajuda invadiu as redes sociais. Pode reparar, quem é que não se viu diante de artigos ou matérias do estilo "6 hábitos saudáveis das celebridades" ou "9 atitudes de todo atleta vencedor em que você deve se inspirar", não é mesmo? O problema é que dá a impressão que os autores escrevem os textos sem embasamento profundo nenhum. Por isso, Entre o Bem e o Mauro, após uma longa pesquisa com os top 100 do business, entertainment & sports, conseguiu enumerar os 7 hábitos das pessoas bem-sucedidas que você deve copiar. Apertem os cintos e preparem-se para revelações inacreditáveis e igualmente simples que você pode se inspirar.

1 - Fome dos campeões

As pessoas bem-sucedidas sentem fome. Bastam algumas horas sem comer e o estômago delas roncam em súplica por alimentos. Isso se deve à falta de nutrientes no corpo. Conforme o organismo vai sentindo falta deles, um alerta interno é acionado, estimulando-os a procurar comida. Importante: dependendo do horário, este a…

Guia definitivo de como parar de fumar (crônica retrô)

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Um dos grandes desafios da humanidade nesses novos tempos de stress é o ato de parar de fumar. A mídia, os profissionais de saúde e os governos mundiais bombardeam a população com informações sobre os malefícios do fumo e hoje todos conhecem bem as conseqüências deste vício maldito. Diante deste grande problema, surgiram diversas técnicas para ajudar o fumante a parar. Algumas vêm apresentando resultados surpreendentes, mas ainda um fator é crucial para o êxito desta missão: a pessoa tem que realmente querer parar de fumar. Por isso, em um serviço de utilidade pública, Entre o Bem e o Mauro apresenta "Como parar de fumar em 10 passos e sem fraudes". Siga estes passos e seja feliz.
1 – Marque uma data para o último cigarro – E não me venha com 32 de Fevereiro, 01 de Janeiro de 3088 ou o dia em que a Ponte Preta for campeã. Deve ser uma data real e próxima para conseguir.
2 – Avise seus amigos de sua decisão – Mas não aquele amigo que você não vê há mais de 10 anos, que foi mora…

O homem que não sabia sorrir

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Sr. Wilson é o nome fictício que vou usar para descrever o protagonista dessa crônica. Não por querer preservar sua identidade, mas nunca consegui tirar seu verdadeiro nome. Sr. Wilson trabalha na academia onde faço meus exercícios matinais. Ele é o responsável pela limpeza do vestiário masculino. Ele limpa tudo, mas bastam algumas pessoas entrarem e o recinto está sujo para ele limpar tudo de novo. Talvez isso explique o título.
Sr. Wilson estava sempre de mal humor, nunca conversava com ninguém. Eu entrava, dava bom dia, e ouvia um grunhido que preferia acreditar ser um bom dia, mas desconfio que poderia ser algo parecido com "bom dia só se for pra você, seu FDP, imprestável, imundo e distribuidor de pentelhos pelo box". Realmente confesso que minha saída do vestiário deixa rastros de pelos, suor e microcoliformes, mas é humanamente impossível sair de lá como nas propagandas de produtos de higiene, com estrelinhas da limpeza, nuvens de florais e trilha sonora gravada por …

Deu merda

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- Essa crônica é inapropriada para quem sofre com enjoo, náusea ou estômago sensível -

Aconteceu em meados de 2002. A internet havia apresentado um problema que não conseguia solucionar e, depois de infinitas tentativas e muito a contragosto, recorri à Central de Atendimento da NET, um dos piores serviços que existem no mercado. Depois de 20 minutos, consegui agendar uma visita técnica, em um sábado, entre 8 horas e meio dia.
O sábado chegou e acordei 7h30, para não dar sopa pro azar e não ter que agendar outra visita. Tomei um café da manhã reforçado e esperei ansiosamente o técnico. Exatamente às 7h55, uma dor de barriga deu sinal de vida em meu ventre. Seria algo normal, só ir ao banheiro e tudo bem, mas não. Não havia ninguém em casa e se eu me ausentasse por míseros minutos, o técnico iria embora sem nenhum peso na consciência. Precisava aguentar. Eu sabia que, pela Lei de Murphy, no momento que eu me sentasse no vaso sanitário a campainha iria tocar.
Tentei ligar a TV para me di…

Frases da propaganda (crônica retrô)

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As 10 frases mais execráveis da propaganda
Eu trabalho há mais de 10 anos em propaganda e já vi de quase tudo nessa área. Acompanhando diariamente essa rotina de criação, cheguei às 10 frases mais usadas e igualmente chatas, insuportáveis e sem originalidade na propaganda. Infelizmente, muitas vezes não consigo evitá-las. Por isso, preciso desabafar exaltando o que dá vontade de escrever no lugar de cada uma delas.
1 - "A empresa possui profissionais qualificados" - Não adianta, hoje em dia até quando nos referimos à açougueiros dizemos que são profissionais qualificados. Virou mania e perderam-se os critérios. Dá vontade de dizer "A empresa trabalha com pessoas imbecis, grosseiras e porcas para atender você da pior maneira"
2 - "Temos tecnologia de ponta para inovar" - Ridículo. Muitas empresas hoje fazem o produto de outra cor e já dizem que inovam. E tecnologia de ponta pra eles é qualquer coisa que tem visor digital. Dá vontade de dizer: "Compramos …

Carteira de Motorista

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Amanhã realizarei a prova de renovação da carteira de motorista, obrigatória para todos os condutores no Brasil. Sinceramente acho uma bobagem fazer este exame, mas não há outra saída. Olhando superficialmente a cartilha com os temas direção defensiva e primeiros socorros, achei muita coisa absurda e que não vejo propósito de explorarem. Como tenho que acertar 70% das questões, isso muito me preocupou, já que em caso de reprovação, terei que realizar um curso que, francamente, não quero nem pensar na possibilidade. Meus maiores medos são as pegadinhas que induzem o condutor ao erro e as questões com alternativas semelhantes. Por isso, quero propor ao Detran que formule uma prova mais fácil, com assuntos de conhecimento comum e alternativas mais fáceis. Mais ou menos assim:
1 – Você está na estrada e, sem querer, atropela uma pessoa. O que fazer?
a – Para e presta socorro b – Vai e volta atropelando várias vezes até virar carne moída c – Sai do carro e dança polka polonesa em cima do corpo …

As voltas que o mundo dá

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"Quando minha esposa morrer eu vou virar marido de aluguel, aquele que cozinha, arruma a casa e come a mulher, porque vou te falar uma coisa, eu tava com uma baita dor no dedo e tava tentando dormir quando a minha esposa faz um barulhão no quarto do lado e eu adoro dormir ouvindo ópera, Vivaldi, as sonatas de Verdi, as entradas de Pavarotti são lindas, aquele dvd ao vivo de Veneza, uma coisa linda. Esse DVD eu comprei uma vez lá na Saraiva. Maurão, achei o DVD ali, meio escondido, só R$ 29,90, não acreditei, perguntei pro vendedor, um moço educado, até tive a impressão que conhecia ele de algum lugar. Eu até acho que ele é filho do tio da Soraia. Você conheceu a Soraia?
A Soraia mora ali perto da sua casa antiga, é ali no Parque Prado, né? Aquele bairro cresceu muito. Passei lá uma vez pra levar minha calça pra costurar que disseram que tem uma costureira muito boa e barateira praqueles lados. Daí passei no shopping de lá e tem tudo, até agência de viagem.
Pensei até montar uma …

A louca história de Mário Nese (crônica retrô)

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Essa é a louca história de Mário Nese, um pacato cidadão de uma cidade qualquer que não vem ao caso nesta fábula. Mário era uma pessoa de bom coração, adorava ajudar os aflitos, fazia doações a diversas instituições de caridade e servia de exemplo para todos os moradores do município. Tudo era paz e felicidade até que Mário Nese resolveu comer um lanche na tradicional lanchonete do Seu Batata, como fazia há mais de 48 anos. Sentou-se à mesa, chamou o Silveira, garçom mais antigo do Batata, e solicitou seu X-Salada completo e um suco de cajá com 2 colheres de açúcar. Em poucos minutos o banquete estava na mesa e Mário, com sorriso no rosto, começou a degustá-lo.
Só que desta vez algo estranho aconteceu. Mário notou que Silveira esqueceu de trazer a sua maionese preferida, que era artesanalmente preparada pela esposa do Seu Batata. E Mário não consegue comer seu lanche sem a maionese caseira mais famosa da cidade. Levemente desconfortável com a situação, Mário pediu para que Silveira tro…

Faz um Passa Quatro

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O título acima tem explicação: Reza a lenda que para provar que você não está embrigado é preciso fazer o "4" com as pernas. E como a crônica de hoje se passa na cidade mineira de Passa Quatro, o trocadilho está feito. Infâme, mas foi o melhor que consegui fazer.
Fomos curtir o feriado de Páscoa em família nesse charmoso e bucólico cantinho aos pés da Mantiqueira. Visuais deslumbrantes, passeios incríveis, trilhas desafiadoras, mas o que eu queria mesmo era beber. E nesse quesito a coisa foi avassaladora: 50 litros de chopp, várias caixas de cerveja, destilados, churrasco, boa música, gente animada e uma bebedeira homérica se instalava neste que vos escreve humildemente.
Tudo isso começou por volta das 13h e lá pelas 22h comecei a perder a noção. Além dos tradicionais falar alto, cambalear e derrubar copo, me peguei dançando Guantanamera, um clássico da música latina, para gargalhadas dos presentes e vergonha alheia da minha esposa. Minha coreografia mais se assemelhava com…

1 de Abril

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Nunca tive uma ligação muito forte com tradições, mas dependendo da ocasião acabo entrando na onda só para me divertir. Foi assim com o desafio do balde de gelo, o "para noooossa alegriaaa", entre outros. E o motivo dessa crônica é justamente a participação em, talvez, uma das mais antigas delas: o primeiro de abril, dia internacional da mentira.
Era um dia normal de trabalho até que um dos colegas indagou: Que tal fazermos uma "pegadinha" de primeiro de Abril com o dono da agência? - Aqui vale uma pausa: o dono da agência era daqueles que considerávamos um paizão e, logo, permitia uma brincadeira desse estilo.
Todos aprovaram de primeira a ideia e logo estávamos debruçados no computador buscando referências de brincadeiras criativas e divertidas para a ocasião. Desde ideias estapafúrdias até simples ações foram surgindo, mas nenhuma que agradasse em cheio. Até que um estagiário, daqueles tímidos que mal conseguem levantar o braço por inteiro de tanta vergonha, se…

A viagem da aranha (crônica retrô)

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Cara, aconteceu uma coisa muito louca agora. Mas antes tenho que explicar uma coisa. Não sei se todos sabem, mas trabalho na criação de uma agência de propaganda aqui em Campinas/SP. Um de nossos clientes é uma megastore de brinquedos e recentemente criamos um tablóide (estilo um jornalzinho) de ofertas. Como se trata de uma loja de brinquedos, fizemos uma criação lúdica, simulando um mundo de imaginação, cheio de cores, plantas, personagens e brinquedos. Detalhe: Tudo em 3D, o que dá um efeito de sobressalto, volume, textura e vida na imagem.
Feito o material, coloquei um dos exemplares na minha mesa e segui trabalhando. Não mais que de repente, notei uma pequena aracnídea caminhando com suas 8 patas sobre a mesa. Percebi que ela estava tristonha, cabisbaixa, com passos depressivos e não vendo mais sentido na vida. Posso afirmar isso porque ela deixava um rastro de lágrimas pelo caminho. Mas a pobre aranha-filhote não sabia o que estava por vir. Sim, meus queridos leitores, aconteceu …