O verdadeiro King Kong (crônica retrô)


Ontem, no Fantástico, o que poderia ser uma das matérias mais interessantes apresentadas pelo programa dominical transformou-se em um dos principais fiascos televisivos de todos os tempos. E olha que a revista eletrônica tentou maquiar o medíocre desfecho da reportagem sobre o "verdadeiro King Kong".

Confesso que a chamada da atração me despertou curiosidade. E os ingredientes eram muitos para atrair meu desejo de ver a busca por imagens exclusivas do King Kong: trilhas quilométricas, florestas selvagens, gorilas perigosos e animais famintos, entre outros atributos que davam um ar de "pura adrenalina" à missão.

Estava ansioso, então, para ver a caça ao mais temível dos animais, o rei da selvageria, o algoz das espécies, o brutamonte peludo, o primata sedento por sangue humano, o destruidor de edifícios e aviões, o sequestrador de mocinhas indefesas, enfim, o pesadelo dos pesadelos.

Nisso, vale destacar a coragem do enviado global e seu intépido cinegrafista, que tinham a missão de, respectivamente, narrar e mostrar o encontro. E lá foram eles para a África. Em contato com os guias, que lhes davam as devidas instruções, o repórter não conseguia disfarçar seu temor. E não era para menos, afinal estava prestes a ficar muito próximo com o devorador-master das selvas.

Meu estado apreensivo era nítido e minha admiração por profissionais que arriscam a própria vida para obter imagens arriscadas só aumentava. Só para apimentar o conteúdo, no meio da trilha, os guias encontraram uma cobra extremamente venenosa. Mas, graças ao preparo dos guias, o risco foi anulado. Um pouco mais adiante, uma boa e uma má notícia: os guias, que se comunicavam via rádio, ficaram sabendo que os gorilas foram avistados, mas estavam do outro lado da montanha. Mais caminhada pela frente.

No meio da matéria, a edição colocou imagens do filme king kong com trilhas sonoras de suspense. Isso aumentava a apreensão dos telespectadores. Até que chegou o grande momento. Já se ouvia os primeiros urros de gorilas e vultos peludos. Era assustador. Os guias estavam em êxtase. E foram em direção do bando. Filmaram filhotes, gorilas menores e....o repórter anunciou o protagonista. Era a hora de ver a imagem de King Kong. Momento de pura emoção. Abrem-se os arbustos e....putz, que decepção!

Surge a figura de um macaco velho, gordo, sentado e comendo plantas sossegadamente. Às vezes ele virava para a câmera, com olhar meio desconfiado, mas logo voltava a curtir sua folhinha. Me veio imediatamente a figura daquele mineirinho com chapéu de palha mastigando a haste de um capim e fazendo um cigarro de palha enquanto cumprimenta: "Tarde!". E mesmo com a presença de muita gente o Gorila não levantava seu traseiro gordo da terra.

Meu deus, onde estava aquele ser terrível que degusta humanos? Cadê o terror das megalópoles mundiais? Nada, tudo isso estava resrito a um gorila preguiçoso e glutão. E a edição insistia em criar um clima de imponência para ele. Ah, faça-me o favor, tenho mais o que fazer. King Kong nada, era um King Momo da floresta. O típico macaco gordo, que só quebra galho. Macacos me mordam, perdi meu tempo...

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