Eu, eu mesmo e as neuras


Não sou uma pessoa de neuras, mas tem uma que me atormenta e a tendência é piorar com o passar dos anos: a neura de saber se fechei ou não as portas de casa ao dormir. Toda noite é a mesma coisa, chego a verificar mais de 1 vez a porta que acabei de fechar para ter a absoluta certeza. Mas o que aconteceu na noite de quinta-feira passada extrapolou todos os limites. Era uma neura tão fora do normal que cheguei a conversar comigo sobre o ocorrido. E ficou mais ou menos assim:

Eu - Bom, hora de dormir, vamos fechar a casa pra dormir tranquilo e feliz
Eu mesmo - Vai começar o ritual interminável. Me acorda quando acabar
Eu - Eu senti uma ironia ou é impressão minha
Eu mesmo - Magiiiina, você é super seguro de si
Eu - Um pouco de prudência não faz mal a ninguém
Eu mesmo - Neura, você quis dizer
Eu - Não, prudência mesmo
Eu mesmo - Ok, eu acredito…ah, você tem certeza que fechou a porta da cozinha?
Eu - Ah, tá querendo me testar. Não vou cair nessa
Eu mesmo - ….
Eu - Maldito! Vou ter que ver
Eu mesmo - hahahaha. E a porta da sala? A garagem? Janelas? hahahahahaha
Eu - Por favor, não me atormente
Eu mesmo - Ok, vamos ficar pela porta da cozinha, também estou com sono
Eu - Ok, porta da cozinha fechada
Eu mesmo - Mas você viu a porta de fora?
Eu - Não, mas eu costumo fechar quando chego do trabalho
Eu mesmo - Ah, mas hoje te senti chegando um pouco cansado. Não custa verificar
Eu - Ok, ok, melhor mesmo
Eu mesmo - Já aproveita e acende a luz de fora
Eu - Opa, impressão minha ou não sou o único neura nessa história?
Eu mesmo - Claro que não, só estou te lembrando
Eu - Hummm, será que eu fechei a porta da rua? Será?
Eu mesmo - Não tenta inverter o jogo
Eu - Opa, eu ouvi um barulhinho no quintal
Eu mesmo - Ok, ok!!! Sou neura, agora chega, fecha tudo e vamos dormir
Eu - hahahahaha, bichona neurótica
Eu mesmo - Ah, eu? Lembre-se que sou fruto da sua imaginação
Eu - Não vem colocar mais essa neura na minha cabeça
Eu mesmo - Ok, então fecha logo essa porra e vamos
Eu - Pronto, fechei
Eu mesmo - Tem certeza?
Eu - Ah, não recomeça
Eu mesmo - Sério, essa conversa te distraiu
Eu - PQP, lá vou eu de novo
Eu mesmo - Concentração, meu caro
Eu - Pronto
Eu mesmo - E a porta de fora também?
Eu - Ahhh, caceta, não sei, não me pressiona, você está me sufocando
Eu mesmo - Olha lá, vai
Eu - Tá fechado, tá satisfeito? Vamos dormir, opa, vi um vulto.
Eu mesmo - Ah meu deus, chame a polícia, os bombeiros, vamos ficar trancados no quarto, não faça barulho, eles podem nos descobrir aqui.
Eu - Ow, ow, ow, calma, é uma barata
Eu mesmo - Aiiiiiiiiii, barata, socorro
Eu - Ah, não, meu eu é uma biba desvairada. Era só o que me faltava
Eu mesmo - Desculpe, é que você me estressa com sua neura
Eu Racional - Chega, pessoal, essa história já foi longe demais
Eu - Quem é você?
Eu Racional - Seu eu racional. Tá uma palhaçada isso. Desse jeito a história não terá fim e as pessoas não têm paciência para ler algo tão extenso. E, convenhamos, não está tão engraçada assim
Eu mesmo - Mas não é para ser engraçado. Estamos retratando a nossa neura
Eu Racional - De qualquer forma vocês ultrapassaram o limite de caracteres. Hora do desfecho
Eu - Ok, vou terminar
Eu Racional - Ok, e não esquece de fazer o back-up do texto
Eu mesmo - Sim, ele faz isso sempre. Não faz, Mauro?
Eu - Não lembro se fiz semana passada
Eu mesmo - Ah, meu Deus, vai começar tudo de novo...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O negão da piroca

Sábio guru

Vaguinha difícil