Reencontro


Reencontrar velhos amigos talvez seja uma das melhores coisas da vida e esse fim de semana pude experimentar essa sensação mágica. Estava em um pub com amigos e familiares, curtindo uma boa música e tomando cerveja gelada e de rótulos diferenciados. Aqui vale um parenteses: a minha escolha por cerveja é baseada em 2 aspectos, custo e benefício. Não tô nem aí pra sabor, aromas, aparências, textura, carbonatação, se o lúpulo é colhido por escravos austríacos no norte de Aspen ou se a sensação tátil é equivalente às notas amadeiradas de uma orquídea rara do Tibet. Eu quero é chapar, e como o cardápio apresentava diversos rótulos, escolhi logo as mais baratas e com os maiores teores alcoólicos. Aí que a coisa degringolou. Foi uma mistura de países com teores acima de 10%. No começo era uma degustação, mas do meio para frente virou uma bebedeira desenfreada e a perda do mínimo que restava de sobriedade.
Por sorte, a minha noção não foi embora junto, o que poderia causar danças ridículas, performances non sense ou coisas do tipo. O máximo que denunciava minha embriaguez era a alteração no jeito de falar, mais arrastado e com risos entre cada pausa. Mas the show must go on e minha vontade de viajar o mundo através dos rótulos de cerveja continuavam a mil, até que certa hora minha esposa alertava que era momento de parar e ir embora. Sábia decisão, por sinal.
Me despedi de todos (acho) e fui em direção ao caixa para pagar o prejuízo. Mas assim que dei os primeiros passos, uma tonteada revirou minha cabeça, dando a real dimensão do estrago. Respirei fundo e falei comigo mesmo: Vamos, Mauro, você consegue.
Quando peguei embalo, um grito ecoou em minha cabeça: Maurãããoooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!, bem ao estilo Derek Green, do Sepultura. O susto foi enorme, tentei identificar o foco sonoro, mas não deu tempo. Fui tomado por um abraço de urso e o que aconteceu a seguir foram cerca de 10 minutos com esse diálogo:

- Maurãããoooooooooo!!!, não acredito, Maurãããoooooooooo!!!
- E aíííííííííííííííí?? (sem saber quem era e tomado por apertos)
- Nossa, quanto tempooooo
- Nem faleeeeee (tentando desesperadamente me soltar para saber quem era)
- Caraca, não acredito que é você, Maurãããoooooooooo!!!
- Geraaaaaaaldoooooooo (finalmente consegui ver quem era e retribuí o abraço)
- Hkhgjkygkuyfguyfuyff (sério, não consegui entender o que ele falava nesse momento)
- E aí, cara?
- Nossa, quanto tempo cara (e me abraçou de novo)
- Acho que uns 10 anos!!!!!
- No mínimo….Maurãããoooooooooo!!! (e me abraçou de novo)
- Caraca, Geraldo…dá um abraço aqui cara!!!
- Meu, demais te encontrar
- Nem fale, quanto tempo? Uns 10 anos?
- 10 anos, uau!
- Bom, vou nessa
- Abraço cara, bom te ver (e me abraça)

E fui embora, sem saber o que ele fazia, onde morava, se estava casado, enfim, nada. Mas feliz de ter reencontrado.

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