Curtindo a vida adoidado


Ninguém, em toda a face deste planeta de meu Deus, deve ignorar os momentos de liberdade que a vida dá. Esse moment-off deve ser curtido adoidado, sem medo de ser feliz. E foi o que aconteceu semanas atrás, mais precisamente no chá de bebê da minha filha, que está por vir.
Organizamos o evento por meses. Tudo precisava estar perfeito para a festa, a decoração, comes e bebes, lista de convidados, local e tudo mais.
No dia da festa foi aquele mutirão para deixar tudo pronto. Cada membro da família era responsável por um setor. No meio do trabalho, minha sobrinha diz: tio Mauro, você convidou a Mari? Aqui vale um adendo: Mari é a melhor amiga da minha sobrinha. Elas estudam na mesma escola e não desgrudam enquanto estão juntas. E para fortalecer este laço, ela mora no prédio em frente ao da minha sobrinha. Pouquíssimos metros as separam.
Voltando ao questionamento, respondi, com todo carinho do mundo: meu amor, hoje a festa é para os nossos amigos. Espertamente, ela retruca: Então, a Mari é amiga também, não é?. Sem argumentos definitivos, apelei pra uma falsa promessa: na próxima festa convidamos ela, ok?. Quem tem crianças na família sabe o desfecho, não? Isso mesmo, ela não sossegou enquanto não conseguisse a afirmativa. Chegou até a promover uma acareação entre os pais e eu. Até que ela conseguiu.
Foi uma festa digna de um vencedor da megasena. Foi o "eebaaa" com mais "es" e "as" da história dos eeebaas desde 988 a.C. quando foram identificados os primeiros registros de "eeebaaas", provavelmente quando os aborígenes sapiens da era jurássica derrotaram os pterodátilos erectus em uma batalha sangrenta pelas cavernas ao sul da região onde hoje se encontra as famosas ruínas de Bauxita da Mongólia.
A partir deste momento, para a minha sobrinha, a chegada da Mari era mais importante que a festa em si. Ela contava no reloginho da Barbie Sereia e seus amiguinhos no Parque Aquático da Florida os segundos até sua chegada. E ela aconteceu.
A partir do toque do interfone, na portaria, tudo aconteceu em slow motion. A porta se abriu, a Mari correu ao encontro da Lara. A Lara correu ao encontro da Mari. Se abraçaram como não se vissem há séculos. E sumiram, rumo ao parquinho do prédio. Só que uma nova história, que aparentemente passaria despercebida, se iniciou. Os pais da Mari estavam parados na entrada do edifício, só esperando a filha se integrar ao evento, com uma tremenda cara de sapecas pererecas, levados da breca. Ao contrário do slow motion ocorrido na entrada da Mari, rolou um very fucking fast motion a partir de então. O casal disparou em direção ao prédio deles e em menos de 34 segundos estavam saindo de carro. Era uma cena muito semelhante àquela de "Curtindo a vida adoidado", quando os funcionários do estacionamento onde Ferris deixou a Ferrari pegaram o carro em direção às ruas de New York City. Com certeza rolou um diálogo mais ou menos assim:

Pai - Porraaaaaaaa, liberdadeeeee
Mãe - Quero balada, balada, balada
Pai - Dorgasssssss, ihhhhhhh
Mãe - Sexo, drogas e rock'n'roll
Pai - Aumenta o som dessa merda que hoje eu quero é pirar
Mãe - I wanna rock'n'roll all night and party every day!

Provavelmente não tinham uma folga da filha há muito tempo. Dava para ver a lagriminha de felicidade dos 2 na portaria do prédio. A adrenalina estava a mil. Certamente a noite seria nitroglicerina pura. Pelo menos durante as horas até o término da festa. Ah, a liberdade...

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