Hora de dormir


É impressionante a quantidade de histórias que a paternidade está me rendendo. É uma atrás da outra. Daqui a pouco vou ter que mudar o nome do blog para Entre o Bebê e o Mauro. A última aconteceu ainda hoje. Mas antes de contar, vale uma introdução.
Um dos principais problemas nesse começo é a hora de dormir. Confesso que estamos penando para adequar a nossa rotina à rotina dela. O resultado são noites mal dormidas e momentos de impaciência. Entre os motivos estão a fome, dores e, certamente, a manha. E nessa hora acontece um fenômeno que imagino ser muito comum: a chuva de conselhos. São táticas infalíveis para acalmar a criança e deixá-la em um sono tão profundo e relaxante que os anjos celestiais do Reino de Fofolândia descem tocando Dorme Neném no ritmo de Enya misturado com Bob Marley. Quando o desepero bate, qualquer estratégia é bem vinda. E aqui vale comentar 4 delas.

Chupeta - Foi a primeira coisa que pensamos fora dos top 5 (peito, colo, berço, fralda e massagem). Quando nos ocorreu essa ideia, foi como se descobríssemos a roda. Era tão genial que não podíamos acreditar ser tão simples. Pegamos a chupeta esterelizada e com muita fé introduzimos em sua boquinha. As primeiras sugadas nos encheram de esperança. Depois a primeira queda da boca. Retornamos. Mais algumas sugadas. As lágrimas da vitória umedeciam nossos rostos cansados. Mas ela soltou. E nunca mais pegou. Game Over.

Dança do Paizinho - Vale pagar mico para seu bebê dormir e cooperar com o merecido descanso dos pais. Pesquisando em um fórum de internet, descobri, ao ler um artigo de uma mãe de 4 filhos (know-how de sobra), que o pai pode pegar o recém-nascido e dançar para fazê-lo dormir. Sim, queridos leitores, estava eu bailando uma valsa austríaca em uma madrugada qualquer com o sonho de que os meus suaves movimentos (ok, não tão suaves) e a afinada (ok, não tão afinada) cantarolada da sinfonia 9 de Beethoven fosse induzí-la ao mais profundos canyons do sono humano. O choro só aumentou. Game Over 2.

Som do Útero - Juro para vocês que quando soube da existência de um aplicativo que reproduzia fielmente o som do útero, debochei ao extremo. Na minha opinião era um charlatanismo em seu mais alto grau. Para quem não sabe, o som do útero é semelhante ao de um secador de cabelos ligado. Sim, chato pra c%$#^%$. Mas quando algumas mães ressaltam sua eficácia, no mínimo devemos testar. Baixei o aplicativo e no primeiro choro ativei e aumentei o volume do smartphone. Era uma volta ao ventre materno. Uma nostalgia emocionante. Uma atitude retrô. Nos primeiros segundos, silêncio total. Eu e minha esposa trocamos olhares surpresos. Que bruxaria era aquela? Mas a alegria durou pouco. O mix de choro e secador ligado extrapolava os decibéis adequados ao ouvido humano. Game Over 3.

Reza - Depois de várias tentativas frustradas, só nos ocorre uma coisa: a bichinha tá possuída. O cramunhão, dubá-dubá, tinhoso do cancro duro, satanás baby se alocou em seu corpo e está usando nossa filha para disseminar o mal em nosso planeta. O choro seria a convocação dos mensageiros da discórdia para a batalha épica contra e exército de anjos pueris. Tentamos a reza para acalmá-la, mas nada feito. Game Over 4.

A guerra parecia perdida. Começamos a admitir que o sono seria artigo de luxo em nossas vidas. Até que em uma navegada despretensiosa numa rede social, um artigo me chamou a atenção: "Como acalmar seu bebê". O título é comum, mas não sei explicar a razão, aquilo me chamou muito a atenção, como se uma voz interna me dissesse: "Leia, essa é a sua salvação". Li e me convenci. Em breves palavras, o artigo dizia que o bebê precisa ser condicionado dentro dos valores da disciplina e das regras parentais, ou seja, nós, pais, devemos ensinar ao bebê a sua rotina. Claro! Conversei com a esposa e combinamos: Você amamenta e eu coloco pra dormir. Senão ela vai ficar horas mamando e chorando. E ela precisa saber que tem hora pra cada coisa.
Aquilo me empolgou. Já coloquei em prática na mesma noite. Por volta das 22h, o primeiro teste. Perfeito. Antes ela dormia em 3 horas. Agora foi pra 1 hora. Conseguimos dormir um pouco. O próximo desafio era 1h. Minha esposa faz o ritual de despertar. A amamentação ocorre sem maiores problemas. 40 minutos depois ela larga o peito. Era a minha vez. Era arrotar e dormir. Fui pra sala para deixar a patroa descansar. A essa hora você, amado leitor, deve estar tenso, emocionado e solidário, torcendo por um final feliz. Mas foi só o começo de uma luta mais intensa que o MMA de búfalos selvagens contra leões famintos do Zimbabwe. Com muitos choros, esperneadas, arrancadas de pelos do peito, ela foi dormir às 5h30. 3 horas e 30 minutos de luta. Knockout!


Comentários

  1. Mauro, morri de rir com suas postagens...a vida com bebes é isso mesmo e mais um pouco!
    E por falar dica/palpite o livro "Cianças Francesas não fazem manha" especialmente no Capitulo 3: cumprindo as noites - fala do sono dos bebes....aqui deu certo com o Rafael - depois do segundo mês ele dormia a noite toda.
    Enfim, não custa tentar.

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    1. Pois é, Lu. São apenas 10 dias, então estamos penando ainda. Mas toda dica é bem-vinda. Uma vai dar certo.rs Bjs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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