Pastel da discórdia


Sexta-feira é dia de alegria, de momentos com quem se gosta, é o início do fim de semana. Puro relax. Não foi o que aconteceu na sexta passada. Um dia normal de trabalho, correria, prazos curtos, pressão e o desejo para que a semana acabasse.
Mas antes de dar continuidade à crônica, preciso explicar algo que será crucial no entendimento de vocês, amados leitores. A agência onde trabalho tem a seguinte planta: você entra em uma portaria, atravessa o estacionamento, desce um lance de escadas e chega à area de entretenimento, onde encontramos a máquina do café, banheiro, uma bancada (estes lugares serão protagonistas da história) e outras coisas. Atravessando a área de entretenimento, chegamos à agência propriamente dita. Chegamos à recepção, abrimos uma porta, descemos outro lance de escadas e entramos no setor de mídia e atendimento (dominado por mulheres). Continuando a caminhada, descemos outro lance de escadas e, finalmente, encontramos a criação (dominada por homens), onde eu trabalho. Difícil explicar na escrita, mas é mais ou menos isso.
Voltando à história, por volta das 16h da sexta passada, um dos criativos pensou alto: Hum, ia bem um pastel agora, hein? Provavelmente ele só fez essa observação expressando sua vontade, sem maiores ambições. Mas a criação comprou tanto a ideia que em pouco tempo uma vaquinha já estava consolidada. Algo que não se via no dia a dia de trabalho, a pró-atividade foi inacreditável. O verdadeiro sentido de espírito de equipe assolou a agência. A iniciativa de todos fez com que, em menos de 5 minutos, um deles estivesse saindo para buscar a encomenda. Nem bem ele saiu, outro criativo emendou: galera, sobrou cerveja do churrasco passado. "Pastel e cerveja!!!!", gritaram, em uníssono, os criativos. O fim de tarde prometia na agência.
Todos correram para terminar o trabalho mais cedo e curtir um happy-hour. Tudo parecia levar para um desfecho perfeito. Mas a Lei de Murphy resolveu agir.
Primeiro que a pessoa designada para buscar os pasteis estava demorando mais que o normal, provavelmente pelo trânsito do horário. Mas isso era o de menos. Por volta das 17h45, chega um cliente especial da agência, para ver uma apresentação de campanha na criação. 5 minutos depois, avisto uma pessoa feliz, saltitante, segurando um pacote de pasteis e chegando ao nosso departamento. No mesmo momento, um colega de trabalho intercepta a entrega, gritando em sussurros (sim, é possível): "Cara, você é louco? Tinha que deixar o pastel ali na área de entretenimento. Aqui é área de trabalho. Tem cliente aqui". Foi o começo de um strike de estragos.
Já de cara, um grito da área feminina: "Nossa, compraram pasteis e nem avisaram a gente?". Sem saber o que fazer, o "entregador" ficou estático, entre os setores da empresa. De um lado, um importante cliente. De outro, meninas enfurecidas. A confusão só aumentava.
Foi então que alguns criativos - entre eles, eu - decidiram subir até a área de entretenimento. Em fila indiana e cantando: "cerveja, pastel, estamos no céu" nos encaminhamos ao happy-hour. Mas só foi abrir a porta que nos deparamos com uma cena ainda pior: o dono da agência conversando com um cliente ainda mais importante na bancada. A reação foi instantânea. O primeiro saiu à esquerda, fingindo estar no celular. O segundo foi direto para o banheiro. O terceiro (o que segurava o pastel), deixou o pacote na bancada e voltou ao trabalho. E eu, o último, fui até a máquina do café, tomei e voltei, sem falar um "a".
E assim o sonho acabou. Até a poeira baixar, já era mais de 19h, hora de ir. Comi uns 2 pasteis para não ficar no zero, fui embora e o que era happy-hour virou uma sad-friday. Hoje vamos tentar de novo. Dependendo do que ocorrer, volto para contar.

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