Pregas (crônica retrô)


Quero deixar registrado que hoje, dia 25 de Março, Terça-Feira, exatamente às 12 horas e 32 minutos, meu dia foi trucidado, jogado no lixo, posto nos incandescentes mármores demoníacos do inferno. Gostaria de sepultar o ocorrido, mas foi tão significante que não posso guardar comigo, sob o iminente risco de desenvolver uma lesão coronária de 4º grau.

O fato determinante que despertou minha ira durou no máximo 3 segundos, mas foi o suficiente para estragar o resto do dia. Bom, chega de mistérios. Vou revelar o motivo de minha intempestuosidade. Fui experimentar e tirar as medidas definitivas de meu meio-fraque de noivo para o casamento. Cheguei à loja, que por ironia chama-se Only for Men e mais parece uma gaiola das loucas, e fui recebido pelo tailleur (jeito fresco de dizer alfaiate).Imediatamente fomos à cabine privé (eita, tô com o linguajar muito afrescalhado nessa crônica. Foco, Mauro, não perca a compostura, vamos às palavras de intoxicação...Futebol....Cerveja....Pitbull....Porrada...yeah, isso aí!). Bom, voltando. Fomos ao recinto para experimentar o terno rococó (vulgo meio-fraque) e o distinto profissional das linhas vestimentais e fitas métricas começou a anotar minhas medidas.

Até aí tudo como manda o figurino e sem maiores contratempos. Mas chegou a hora de ver a calça. Calma, antes de ficarem aí com estes sorrisos sarcásticos, não aconteceu nada de fundo sexual. Pelo menos não no sentido bíblico da coisa. O moçoiolo estava analisando a calça quando fez o seguinte comentário: "Vou ter que apertar aqui porque senão as suas pregas vão se soltar". (...) Silêncio (...). Repetindo: "Vou ter que apertar aqui porque senão as suas pregas vão se soltar".

Juro, não esperava escutar este tipo de observação. Normalmente, imagino eu, esta é uma típica situação para soltar a gargalhada, quebrar o gelo e promover a integração profissional-cliente. Mas não neste caso. Qual foi minha reação? Por fora, nenhuma. Por dentro? Escrever esta crônica.

Pô, como assim minhas pregas vão se soltar? Para seu governo, caro alfaiate, essa minha bundinha, cuidada com óleo johnson e talquinho da turma do snoopy, permanece com todas as 244 pregas intactas, reforçadas e com o selo do Inmetro. Sem contar o certificado ISO 69, que garante qualidade total e segurança em pregas retais. Enfim, nunca, em sã consciência, venha afirmar que existe o risco, nem que ínfimo, de minhas preguinhas, estrategicamente instaladas para suportar qualquer tipo de atrito e pressão, se desgrudarem de seu local de origem. E antes que o senhor venha com gracejos insinuantes que eu já fiz inúmeros testes de atrito e pressão, porque não me poupa de comentários de duplo sentido.

E outra coisa. Meus antepassados não desmentem minhas afirmações acima citadas. Sou descendente de ferreiros da idade média, profissionais da siderurgia paleozóica e Mariners americanos campeões mundiais de nós apertadinhos da Guerra do Vietnã. Isso me credencia, com direito de medalha de honra ao mérito, a ser o homem com o fiofó mais conservado do planeta.

Portanto, seu fanfarrão das agulhas, pense bem antes de dizer o santo nome de minhas pregas em vão. E tenho dito.

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