Trocando a fralda


Quem lê com regularidade Entre o Bem e o Mauro está acompanhando a saga de minha recém-paternidade. Cada semana, uma, 2 ou mais histórias recheadas de humor e atitudes atrapalhadas. E neste fim de semana aconteceu algo que, sem sombra de dúvida, já ocorreu com quase 100% das famílias.
Antes vale lembrar que adotei a seguinte estratégia assim que minha princesa nasceu: não trocaria fraldas. Calma, feministas de plantão e ONGs ligadas ao bem-estar dos bebês através das ações educadoras e de higiene provinda da figura paterna. Para compensar, eu ajudaria em outras milhares de coisas que demanda a vida de um nenê. Mesmo na hora da troca de fraldas, eu me posicionaria como um ágil assistente, deixando todos os apetrechos sempre à mão da mãe. É que, vou admitir, tenho nojo de manusear as fezes e urinas do ser humano. Algo meu, da minha natureza.
Mas o dia a dia me mostrou que teria que superar mais este tabu. Uma hora a necessidade desse serviço seria inevitável. E no fim de semana anunciei à minha esposa: quero aprender a trocar fralda! Um silêncio sepulcral se fez. Uma expressão de espanto. E, por fim, um alívio da mãe.
"Então podemos começar já", disse ela, pedindo para que eu ouvisse o som típico de uma evacuação retal. Aquele som, para mim, se assemelhava a uma sirene antiaérea Palestina anunciando uma ofensiva pesada Israelense. Eu estava desconfiado que minha princesa captou a mensagem do pai e caprichou no volume e na textura. O barulho não parava e a cada "pum", o sorriso irônico da minha esposa só fazia aumentar. Solidária com meu semblante de desespero, ela amenizou: "vamos esperar o barulho acabar pra limpar tudo de uma vez".
Alguns minutos depois, respirei fundo e fui à troca. Mas tirando alguns pontos mais complicados, não foi assim tão difícil executar a tarefa. Estava preparado para a missão. Tão confiante que assumi todas as trocas subsequentes.
Mas quem me conhece estranharia se a crônica terminasse aqui, correto? Pois é. O pesadelo nem havia começado. Por volta das 3 horas da madrugada, a pequerrucha começou a emitir sons que denunciavam claramente que ela estava desconfortável com algo. Com o automático no mode on, levamos ela ao peito. Não o meu. Então, ela mamou durante bons minutos. Fiz ela arrotar, coloquei no carrinho e não perdi tempo: fui para a cama para aproveitar mais horas de sono. Não demorou muito e o som do desconforto recomeçou. Só podia ser a fralda. Olhamos e batata! Uma pequena massinha fecal. Nada de mais. E como já estava craque, tiraria isso de letra. Mas a esposa preferiu me auxiliar, como se pressentisse algo.
Posicionamos a bebê no trocador, retiramos a fralda e logo avistamos o cocozinho delicado e bonitinho da nossa princesa. Olhamos com emoção, pensando: "é o legítimo cocô real, perfeitinho com uma leve nota de leite materno". Mas algo estava estranho. O chão começava a tremer. O esfíncter uretral emitia um ruído semelhante a de um vulcão próximo de entrar em atividade. O anelzinho se contraía e expandia em intervalos curtos. E a erupção começou. Um jato de fezes bateu o recorde mundial pueril em distância. Quase 2 metros atingindo tudo que via pela frente: meu braço, a cômoda, a roupa, tapete, chão. E quando ainda nos refazíamos do ataque terrorista, um segundo jato ainda mais forte deixando tsunamis parecidos com marolinhas. Olhei para seu orifício e perguntei: é você, Emily Rose? Estamos frente a frente com lúcifer? Alguém conhece algum exorcista?
O mais incrível é que diante deste cenário de guerra, o corpinho da bebê praticamente não sujou. Mas o quarto….
É, tenho certeza que este foi o ritual de iniciação de um pai na troca de fraldas. O trauma vai ficar para sempre.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O negão da piroca

Sábio guru

Vaguinha difícil