White Eyes (crônica retrô)


Fui abduzido essa manhã. Só pode ser. Algo muito estranho aconteceu e, sinceramente, não sei explicar com clareza. Isso até arrepia minhalma. Bom, vou tentar discorrer sobre o fato.

Toda manhã, de uns dias para cá, acordo com acessos de espirro e coceira intensa nos olhos. Isso, aliado à expressão facial sonolenta, me deixa com uma cara péssima, mais parecendo que tomei uma seqüência de jabs do Mike Tyson depois que o chamei de frutinha comedora de orelhas. Meus olhos ficam extremamente amassados e com uma vermelhidão tão intensa que até um daltônico perceberia se tratar de um vermelho Red-Blood-Pepper-Hot-Fire-Menstruation-Powerfull.

Essa situação já estava me sufocando, já que eu chegava ao trabalho com aquela cara amassada e olhos vermelhos, como se tivesse chegado de uma festa rave. Eu precisava dar um basta nisso tudo. E tomei uma atitude drástica: comprei um colírio super poderoso. Era necessário para dissipar essa falsa imagem de homem-balada que estavam criando pra mim.

Acordei com crise de espirros, olhos coçando, remelas grudentas e expressão jamaicana. Foi a gota d´água para a gota de colírio. Passei na farmácia e pedi logo o mais potente. Entrei no carro e pinguei 2 gotas em cada olho. E aí começou a transformação. Meus olhos ficaram mais brancos do que os dentes de uma modelo em um comercial do creme dental Sorriso, muito mais alvos do que um concentrado de Ace, Omo e Liquid Paper pode proporcionar na cueca branca, suja de neve, do irmão albino do Sivuca. Era algo que não me pertencia. Minha expressão cansada com direito à olheiras, pés-de-galinha, pelancas depressivas e sleepfaces contrastavam com o olho estalado de tão branco. Não havia harmonia em meu rosto.

Ficava olhando toda hora para o espelho na intenção de entender o que estava acontecendo. Aqueles olhos arregalados não eram humanos. Eles praticamente pediam para saltar com destino à liberdade. A cada olhada no retrovisor, parecia que meu globo ocular se expandia e ficava mais branco. E isso não é o pior. O olhar demoníaco que meus olhos lançavam me levava a crer que estava possuído por uma força extraterrestre. Os olhos criaram vida própria. Era terrível.

A prova de que aconteceu algo sobrenatural foi dada no percurso de ida ao trabalho. Minha personalidade foi mudando. Comecei a atravessar sinais amarelos, buzinava para motoristas lerdos e ainda parei em uma vaga onde caberiam 2 carros tranquilamente. Estava sendo muito mal. Certeza que eram meus olhos dominando meu cérebro. Eu precisava detê-lo antes que ele me encaminhasse para ser o protagonista de uma tragédia. Mas como controlar olhos adrenalinados? Pensei, pensei e tive uma idéia Eurekiana: Entrei na internet e abri um site que explicava tudo sobre a vida sexual de uma alga dos mares da groenlândia. E assim, o bom e velho Mr. Marasmo venceu os fire-eyes.

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