Escravos de Jó


Hoje estou aqui para comentar uma música que, na minha opinião, faz apologia aos maiores vícios da humanidade, caracterizando-se como uma verdadeira ode à desvirtude. E eu, correto como um frade virgem da Mesopotâmia, me sinto na obrigação de denunciar este disparate histórico que se arrastou durante os séculos. Antes de avançar neste dossiê, vou revelar a cancioneta em questão. Estão preparados? Pasmém, gente, a música a qual me refiro é uma das mais cantadas nos bares brasileiros, um grande hino da alegria botequeira universal, a inigualável "Escravos de Jó". Eu sei que devem estar pensando: "Ah, esse cara tá viajando, tomou jurubeba com chá de lírio", mas vou provar por A + B que tudo não é fruto de uma imaginação deturpada da realidade.

Bom, todos sabem de cor e salteado a letra desta canção. Mas, para quem ainda está em dúvida, vamos lá: Escravos de Jó, jogavam cachangá. Tira, põ-õe, deixa ficar. Guerreiros com guerreiros fazem zig zig zá. Guerreiros com guerreiros fazem zig zig zá. Até aí, tudo bem, não é mesmo. Mas tentem analisar com consciência crítica, eu ajudo. Como diria Jack, o Estripador, vamos por partes.

Escravos de Jó – Olha só que petulância. A música já começa evidenciando o poder impiedoso de Jó, o magnânimo. Jó era um rei feudal do Zaire do Sul que utilizava da força escrava para trabalhar na colheita de azeitonas-amarelas. E está claro que esta música cultua a escravidão, tão repulsiva por pessoas de bom caráter. Nossa, fiquei irritado só de falar. Quer saber? Vou abrir o jogo. Fontes seguras afirmam que há casos de trabalho infantil nas terras de Jó. Falei.

Jogavam Cachangá – Esse Jó era realmente um pulha. Não bastasse manter trabalho escravo com maus-tratos evidentes, ainda acusa os pobres coitados de manter o péssimo hábito de jogatina em caça-níqueis de cachangá. É lógico que os escravos são os laranjas da história. Mais óbvio ainda que são os fiéis escudeiros do parlamento que se esbaldavam em noites de jogatina desenfreada.

Tira, põ-õe, deixa ficar – Jogatina é putaria pura, isso não é novidade para ninguém. E a razão é simples: jogos de azar envolvem muito dinheiro e isso atrai prostitutas de luxo. Era um tira e põe avassalador, em um ritual devasso sem o uso de preservativos com picos de orgia onde ninguém era de ninguém.

Guerreiros com guerreiros – Hora da violência. Essa expressão era usada na Idade Média para convocar os soldados para batalhas sangrentas contra povos itinerantes. Era a prova cabal da capacidade restrita do cérebro dos reis da antiguidade, que resolviam tudo na base de conflitos armados e da violência infindável. Uma lástima.

Fazem zig zig zá – Não poderia faltar a "marvada" nessa história. O zig zig zá é o reflexo, ou a ausência dele, da bebedeira nos grandes feudos. Os homens não tinham limite e sempre saíam tortos das tabernas após longas noites enxugando suas cachaças-reais em seus cálices sagrados. Na verdade o termo certo seria zig-zag, referindo-se à forma de caminhar após vários drinks, mas como estão tão embriagados, não conseguem pronunciar o zig-zag, que virou zig zig zá.

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