O coco perfeito


Sim, é um assunto delicado e que vai despertar o nojo em muita gente, mas não podemos fingir que não existe este chamado da natureza para todos os humanos. Mas podem ficar tranquilos: não vou explorar o lado fétido e urgh do ritual de levar o amigo do interior pro Rio, nem ao menos divagar sobre o aspecto asqueroso do corte do rabo do macaco, quiçá entrar nos sórdidos detalhes nauseantes do milenar nascimento do velho Barreiro. Pelo contrário, vou trazer o lado poético de fazer rapel sentado. Sim, existe poesia no ato de fazer um depósito no Bank Boston. É o coco perfeito.

O coco perfeito começa com uma leve dorzinha que na verdade é o chamado da natureza para tirar o charuto do beiço. É uma dor que, por incrível de pareça, dá um leve prazer, pois você sabe que em breve vai experimentar o alívio de fazer o parto da sucuri. Mas essa dor só se mistura com o prazer quando você está próximo a um confortável banheiro, em um ambiente relax e com tempo de sobra para curtir este momento seu.

Atendido o chamado para escorregar o milkybar, é hora de sentar-se no vaso, ligar o smartphone e começar. O coco perfeito não exige muita força. É só dar aquela piscadela de esfíncter e esperar sua obra deslizar como um milk shake ou um veludo fazendo carinho em seu delicado anel de couro. Ao final, como cereja do bolo fecal, aquele som inconfundível de mergulho na água de um atleta olímpico que salta de um trampolim, recebe a nota máxima e arranca aplausos da plateia.

Não existe obra se não há a admiração do autor. Feito o descarrego, é hora de olhar e contemplar. O coco perfeito tem a textura de um chocolate suíço, tem um enrolar esteticamente agradável, não se parte, não suja as laterais internas do vaso, não exala odor (sim, é possível) e sua ponta lembra muito a da casquinha do Mc Donalds. E quando damos a descarga, ele vai embora com movimentos suaves e delicados de uma peça de balé do Bolshoi. Sem deixar vestígios.


E o grand finale acontece na hora de limpar. Você pega um pedaço de papel higiênico, passa em seu furico e simplesmente se emociona, pois não há absolutamente nada para limpar. Sim, o coco perfeito não suja seu bumbunzinho. É o trabalho perfeito do seu organismo. É o símbolo da saúde exemplar. Você sai aliviado, revigorado e com muita energia para enfrentar os desafios da vida. Que bom se fosse toda vez assim.

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