Pablo, qual é a música?


Eu sou mala às vezes. Tenho que reconhecer. Principalmente quando estou inspirado alcoolicamente. Tem dias que eu elejo uma pessoa para atormentar e quando ela não tem o poder de relevar certas coisas, fatalmente desejará minha morte de forma lenta e dolorosa.

São diversos os exemplos, alguns até viraram crônica aqui em Entre o Bem e o Mauro, mas vou ilustrar tudo isso com um caso bem simbólico e recente. Após analisar os pontos em comum de todos os casos, cheguei às 5 etapas do meu lado Le Postiche.

Antes de descrever cada uma delas, vamos ao protagonista da história: Pablo, o fotógrafo. Pablo é um amigo e competente profissional que eu sempre contrato para eventos familiares, mas, infelizmente, ele tem o mesmo nome de um dublador do Qual é a música?, programa dominical do mito Sílvio Santos. Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, o quadro que Pablo (do Sílvio) participava tinha a seguinte mecânica: o maestro Zezinho tocava até 7 notas musicais no teclado e o participante teria que acertar o nome da música. Ao acertar, Sílvio anunciava: Pablo, qual é a música, oee? E Pablo, com seu rosto pintado e purpurinado, dublava as canções.

E como eu era assíduo telespectador e o programa me marcou, transferi tudo isso para o meu amigo Pablo, o fotógrafo.

Entenderam? Então vamos às etapas, que são avançadas de acordo com o grau alcoólico. Ressaltando que ela se aplica a muitas pessoas que tiveram a infelicidade de não só cruzar meu caminho como serem protagonistas nestes momentos.

1ª etapa – Sociável e agradável

Nessa primeira fase, eu converso normalmente com Pablo. Falo um pouco do evento, sobre amenidades, assuntos variados e até arrisco uma piadinhas quebra-gelo. Sou uma perfeita companhia e essa etapa é o motivo de Pablo ainda aceitar trabalhar nos meus eventos.

2ª etapa – Lampejos

Continuo sendo aquele cara agradável, falando de tudo. Mas no meio do papo arrisco um “Pablo, você não deve mais me aguentar fazendo a pergunta fatídica – Pablo, qual é a música? – né? Sem graça, ele sempre tenta acabar com o assunto e eu, compreensivo, mudo o tema.

3ª etapa – Ai, ai, ai

Começo a ficar mais solto. E Pablo já está esperto. Basta eu estar em uma roda de amigos que ele se posiciona fora do meu alcance de visão. Mas uma hora ele bobeia. E eu entro em ação. Chamo e anuncio: amigos, esse é o Pablo que falei para vocês. Os amigos fazem aquela cara de “pobre coitado” e Pablo faz a expressão de “PQP!”.

4ª etapa – Enfim

O momento que ele deseja a minha morte. Não pode abandonar o evento pois precisa tirar fotos. E é possível ouvir de diversos pontos do recinto o brado retumbante: Pablo, qual é a música? E se forem milhões as vezes que ele chega perto de mim serão milhões as vezes que eu declamarei a famosa indagação.

5ª etapa – Já era

Essa é a hora do risco. De testar o limite da paciência. De colocar a relação amigo-profissional em cheque. Já não basta fazer a pergunta. É preciso coreografia, a dublagem. E não basta estar perto. É preciso chamar a atenção. De todos. E mais: mostrar a todos quem é Pablo. E ressaltar a ligação dele com a pergunta. Um Deus nos acuda. O fim da festa.


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