Passaporte para o inferno


Hoje eu, minha esposa e a filhota fomos renovar o passaporte (no caso da minha filhota, fazer o documento, já que ela só tem pouco mais de 1 ano de idade). Até aí, normal, centenas de milhares fazem esse procedimento, não é mesmo? Na verdade não aconteceu nada demais, mas uma coisa me chamou deveras a atenção durante o tempo que ficamos na Polícia Federal: o astral do local.
Sério, é algo que me causa arrepio até escrevendo. Vocês não estão vendo, mas os micropelos presentes nos sulcos da digital do meu dedo mindinho estão em pé. Primeiro que, ao entrar no recinto, você é analisado como se os funcionários tivessem em seus olhos um scanner de última geração, daqueles que detectam qualquer variação da luminosidade da sua retina. Me senti um potencial terrorista que precisava provar que estava apto a fazer uma viagem internacional sem tramar algum atentado.

Depois era preciso dizer o motivo da sua presença e entregar os documentos exigidos. Os funcionários eram de uma seriedade chocante. Extremamente focados sem espaço para uma mínima brincadeira quebra-gelo. Cada pergunta que a atendente fazia causava um engolimento de saliva a seco. Mais um pouco eu me sentiria na obrigação de fazer uma delação premiada, admitindo coisas da infância como roubar balas nas Lojas Americanas, apertar a campainha do vizinho e sair correndo e passar trotes para amigos.

Cada minuto lá me dava a impressão que eu seria preso a qualquer momento. E com a tensão do momento, tudo poderia justificar isso. Até a minha filhota poderia ser usada como prova que eu era um traficante de bebê e que a levaria para fazer comercial de fraldas na Bósnia e Herzegovina. Eu não estava confortável.

Mas o auge da nitroglicerina pura foi quando minha pequena resolveu fazer graças. Começou a falar gugu dádá, mandou beijinhos, sorriu e até abanou os braços. Não há quem resista a tamanha fofura, não é mesmo? Vídeos como esse arrastariam milhões de seguidores e ela se tornaria a mais nova YouTuber. Mas certamente ninguém da Polícia Federal. Pelo contrário, a farra da minha princesa estava visivelmente incomodando os funcionários. Mais alguns segundos e certamente uma arma de choque seria lançada em minha direção. Retirei-a do recinto. Minha esposa percebeu também. Foi terminar o pedido do passaporte e saímos do local. Sem olhar para trás. Só ficamos mais tranquilos alguns quilômetros de lá.

Acho que agora está tranquilo. Se bem que a minha webcam está piscando uma luz vermelha. Ai meu, Deus, e agora?


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