Velho Chico - Versão Fanfic


Sou noveleiro, admito. Agora casado e com filha a coisa se potencializou. Tenho TV por assinatura com trocentos canais de diversos perfis, mas sempre fico na novela à noite. Podem me julgar, mas eu gosto. Vibro, choro e me envolvo com os personagens. Sou assim e pronto.

Atualmente a novela que sigo é Velho Chico. Gosto dos personagens, do roteiro, de tudo, mas tem uma coisa que, convenhamos, é fato: ô novelinha triste da moléstia, visse? Um baixo astral da porra. É morte, choro, desencontros, maldade. Pelo amor, né? Tão mórbida que a única festa que me lembro ter acontecido foi no velório da matriarca da família de Sá Ribeiro. Sem contar a morte real de 2 personagens. Deve ter uma caveira de sapo cururu enterrada debaixo dos estúdios de gravação, só pode.

Bom, mas pensando em uma situação fictícia ou um exercício de fanfic, se um dia o autor da novela não puder dar continuidade à história por algum motivo e me eleger para essa responsabilidade, saberei dar um desfecho à altura para os personagens, com aquela carga extra de drama e mau agouro. Seria mais ou menos assim:

Afrânio – Após ser completamente abandonado por todos os membros da família e sacaneado pelos políticos da cidade, o Coronel Saruê começa a sofrer com uma depressão muito forte. Logo, ele se joga no Rio São Francisco com o intuito de se matar. Perto de se afogar, ele se arrepende, mas perde a consciência. Um filme passa pela sua cabeça. Mais tarde ele se vê em uma tribo. Ele agradece aos céus pela segunda chance. Assim como aconteceu com Santo, os índios o salvaram. Mas a diferença é que a tribo é de canibais, que assaram Afrânio e comeram com marshmellows.

Iolanda – A ex mulher de Afrânio, enfim, separa dele e vai tentar a carreira musical, seu sonho antigo, em Salvador. Mas ninguém lhe dá uma chance e ela acaba morando na rua, estuprada por membros expulsos do Olodum por mal comportamento e morre de enfarto devido ao consumo excessivo de acarajé.

Tereza e Santo – Vou preservá-los. A vida já foi cruel demais com eles.

Carlos – Carlos, enfim, consegue o título de Coronel Saruê e é eleito governador da Bahia pelo PSDB. A Operação Lava Jato tenta prendê-lo. Como ele é do PSDB, nada acontece. Mas como eu mando na história, Carlos é atropelado pelo Trio Elétrico de Dodô e Osmar quando saía em carreata pela capital.

Miguel – Miguel pede Olívia em casamento e ela aceita e ainda avisa que está grávida de gêmeos. Mas 1 mês depois ela descobre que tem câncer e morre 2 dias depois. Os bebês se salvam, mas por causa da morte da mãe, nascem com acefalia e só um transplante caro e raro na Islândia podem salvá-los. Miguel não pensa 2 vezes e vai. Mas o avião cai e todos morrem.

Martim – Após meses desaparecido e dado como morto, Martim chega com a prova que Carlos é corrupto. Ele reúne a população na praça para mostrar a prova em fotos. Porém, ao abrir a foto, revela-se o negão da piroca. Pela pegadinha, Martim é preso. E dividirá a cela com ninguém menos que o próprio negão da piroca.

Bento dos Anjos e Professora Beatriz – Bento é reeleito vereador e Beatriz a prefeita. O primeiro projeto é fortalecer a cooperativa e ajudar os produtores com a nova técnica que eu nunca sei como funciona mas que o Miguel diz que é revolucionária. Ao inaugurar a área, um incêndio seguido de pragas venenosas e tsunamis de areia devastam a plantação e todos morrem de fome e seus corpos apodrecem.

Cícero – Sem patrão e sozinho no mundo, Cícero vira um lobo solitário do agreste. Mas, ao limpar sua arma, atira por engano em si mesmo e morre.

Padre Benício – Padre Benício esconde um segredo que logo é revelado: ele é zoófilo. Ao vê-lo em ação com uma pequena e indefesa cabra, o pai bode mata Benício a chifradas e chama todos os amigos para estuprá-lo. “Come on, everyBode”, comanda o velho bode.

Piedade -  O espírito de encarnação encarna no corpo de Piedade, que grita: tenha piedade de mim! (esse foi o trocadilho perfeito)


Delegado Queiroz – O eterno Batoré é demitido e volta para a Praça é Nossa. 

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