A eficiência nos 5 p's do marketing. (crônica retrô)

Poucos sabem, mas já fui um empreendedor do ramo de publicidade. Tive uma agência de propaganda juntamente com mais 1 sócio que, como eu, era da área de criação. O grande problema é que nossa pouca, para não dizer nenhuma, experiência em administrar provocou o fechamento da empresa em pouco mais de 2 anos de atividades. E vou tentar explicar o motivo disso através da análise dos 5 p’s do Marketing.

Produto – Nosso produto era publicidade, talvez o único ponto forte da agência. Problema é que tínhamos clientes provindos das catatumbas do inferno do mal gosto mercadológico e da terra infértil da ausência de recursos financeiros para viabilizar uma campanha eficiente. E não sei se pela nossa cara de trouxa ou por sermos iniciantes, atraíamos empresas falidas, ONGs malditas, espertalhões, novos empresários recém-saídos de um curso mequetrefe de 5 horas no Sebrae e Caça-Permutas. Resultado: Peças publicitárias com mais cores que o Restart na loja da Suvinil, maior quantidade de “profissionais qualificados” e “foco no resultado” por mm2 e logotipo com mais destaque do que carro alegórico explodindo purpurinas fluorescentes e piscantes.

Preço – Não é preciso dizer que nem uma prostituta extremamente avariada abriria tanto as pernas do que uma agência nova e sem capital. E não fugimos à regra. No começo até batíamos o pé para praticarmos um preço justo em troca de qualidade e até ressaltávamos isso na definição de Missão, Visão e Valores. Mas na necessidade de termos dinheiro em caixa aceitávamos negociações estapafúrdias. Até mercadorias Made in China importadas do Paraguai viravam moeda e entravam nos cofres da empresa. E isso nos levou a um caminho tenebroso e sem volta: tornamo-nos uma agência de cartões de visitas, convite de festas de sobrinhos de clientes e panfletos para distribuição em vias públicas.

Promoção – Promoção? Que promoção? Leia o capítulo acima e veja se era possível algum atrativo extra? Nem pensar. Nossa rotina já era promocional.

Praça – Escolhemos à dedo os espaços físicos.  Mais especificamente os 2 primeiros locais que nos fizeram perder 2 potenciais e ótimos clientes. O primeiro em uma casa (?) que eu poderia descrever em diversos detalhes sórdidos, mas fixarei em apenas 1: no andar de baixo morava um ser que adorava funk em alto volume. Sim, amigos, dividíamos a agência com uma espécie da fauna boladona, popozuda e tchutchuca. E o pior: ele ouvia as músicas que não fizeram sucesso, que mais se assemelhavam ao urro de dor de um cramunhão desafinado e com câncer de laringe. E o cliente que perdemos era uma grande Rede de Supermercados. Tudo estava indo bem. O cliente gostou da qualidade criativa, dos preços, do atendimento. Até que perguntou onde era a agência. E ele conhecia o local.

O segundo local era em Campinas, mas em uma casa situada em bairro residencial. Não vou descrevê-la. Citar o ocorrido com o cliente já é o bastante. Estávamos prospectando uma Universidade de renome. Marcamos a reunião e a profissional imediatamente abaixo do Reitor falaria comigo. Deixamos tudo impecável. E ela chega com seu veículo importando de centenas de milhares de dólares. E nessa hora começou o campeonato de bairro dos jovens jogadores de rua. Dezenas de crianças arruaceiras chutavam bolas sem destino e gritavam sem medo de serem felizes. E o carro da Vice-Reitora estava no meio do estádio. Consegui contornar a situação e a reunião aconteceu. Com boas perspectivas. Até que acompanhei-a até a porta e 2 fatos arruinaram a relação: uma bolada no vidro do carro (por sorte não quebrou) e um pagode no bar ao lado da agência (sim, tinha um bar ao lado da empresa). E não era aquele pagode que você vê em clip, com pessoas saradas, bonitas e sãs. Não é preciso dizer mais nada, concordam?

Pessoas – Uma empresa de sucesso é feita de colaboradores eficientes e talentosos, certo? Sim, mas como não tínhamos condições de contratá-los, fomos obrigados a dançar conforme o ritmo. Resultado: Selecionamos pessoas exóticas nesse tempo. Alguns que mal sabiam ligar o computador, outros que mal sabiam discernir publicidade de física quântica, mais alguns que tinham acervo ilimitado e bizarro de desculpas para faltar no trabalho, sem contar os que necessitavam de cuidados especiais, por serem extremamente imbecis.



Enfim, esses pequenos alertas fizeram com que decidíssemos pelo fim da agência. Kotler deve estar repensando seus conceitos.

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