Não vou colocar título, pois estou com vergonha.



Dizem que quando você revela um segredo guardado a sete chaves, você ganha alguns anos de vida, tamanho o alívio. Pois bem, hoje vou soltar um daqueles bombásticos, mas que não aguentava mais manter preso dentro da minha memória. Era muita pressão, pessoas ameaçando usar isso contra mim, sendo subornado moralmente, enfim, eu precisava contar. 1, 2, 3 e....lá vai.

Muito antes de entrar para o time dos casados, vivia uma época de solteirice intensa. Algo meio anárquico e ateu mesmo. Sem pudores, sem regras, sem vergonha alheia. O que interessava era sair e não voltar no zero a zero. Só que, ao levar isso a sério, eu esquecia a qualidade e focava na quantidade. E a bebida era uma companheira inseparável neste jogo.

Só que isso começou a fugir do controle. Comecei a ficar conhecido como caçador de monstros, São Jorge e por aí vai. Era comum notar que pessoas estavam assustadas com meu nível. Era pegar uma “mulher” e logo se ouvia: “nossa senhora!”. E quando pessoas comuns usavam esses “toques sutis” como um sinal para parar, eu encarava como se estivessem admirando meu poder de sedução para pessoas desprovidas de beleza estética e visual.

E ao mesmo tempo que algumas pessoas reprovavam minha atitude, os “verdadeiros” amigos estimulavam, inclusive fazendo apostas para que eu chegasse mais fundo ao poço da baranguice aguda e da tribufuzice crônica. Em pouco tempo nessa fase bizarra eu já era chamado de mestre, guru e senhor dos dragões. Era chamado constantemente por amigos que, para pegar as mulheres de seu interesse, precisava de alguém para pegar as amigas feias.

Mas se as pessoas não conseguem, a vida trata de dar um basta. Era mais uma noite de caça às bruxas. E naquele lugar elas estavam à solta. Os amigos estavam desiludidos e cientes de que a noite era apenas para beber e rir da feiúra alheia. E eu, pouco me importando com isso, fui me abastecer para entrar com tudo. E entrei para ganhar.

Eu estava parecendo um cão no cio. Um demônio da tasmânia. Só que isso teria um preço. Bem amargo. Já passava das 4 horas da madrugada. Os amigos queriam ir embora. Eu pedi mais um tempo, pois acho que aquela noite merecia algo supremo. E eis que avisto uma pessoa se aproximando de mim como um búfalo desenfreado. Mal consegui decifrar o que era, mas encarei o desafio. Em uma fração de segundos nos agarramos e eu a beijei. Só faltou a música tema de Ghost.

E realmente era ghost. Algo assustador estava dando ar assombroso à situação. Seus lábios estavam diferentes. Me pinicando. Dei uma passada a mais de lábio na área acima do dela. Áspero como uma lixa de obra. Dei um salto sutil, para não causar alarde geral no recinto. Dei uma breve olhada no rosto do ser. Uma lagriminha escorreu no meu rosto. Era rezar para que ninguém tivesse visto a cena e manter esse segredo dentro do túmulo das lembranças esquecidas.


Não teve jeito. Risadas começaram. Pessoas apontando para mim e me ridiculzarizando. Os amigos se afastando. Sim, eu acabava de beijar um traveco. Cuspi no chão, soquei a parede, me autoflagelei. Mas nada apagou o que aconteceu. Carreguei por anos o fato, mas depois que virou moda entre os famosos, resolvi contar. Estou mais leve agora. Obrigado a todos.

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