Simplesmente Tocha 3


Quem acompanha Entre o Bem e o Mauro sabe que Tocha é um menino sapeca perereca levado da breca. Mas quem não conhece, Tocha é um amigo de adolescência que aprontava muito por onde andava. Sugiro que leiam as crônicas Simplesmente Tocha e Simplesmente Tocha 2, escritas neste humilde blog.

Pois bem, Tocha era companhia certa nas noitadas de Campinas na década de 1990. Era certeza de boas risadas e alguns imprevistos que davam até medo, mas mesmo assim a gente aguardava com ansiedade o que sempre estava por vir. Ninguém estava imune às insanidades deste ser oriundo das trevas da zoeira. Tínhamos um personal Ivolanda.

E em uma certa noite, decidimos ir a um tradicional bar rock da cidade. Fizemos uma pré com muita bebida, coquetéis mutcho lokos e um fumacê desgraçado. Saímos totalmente desnorteados da casa dele, local do esquenta (era tão esquenta que saí de lá vendo a Regina Casé e o Mumuzinho cantando Reggae com alguns Elefantinhos cor-de-rosa) e fomos rumo a mais uma noitada da pesada.

No bar, nada extraordinário aconteceu: foi só mais um evento com bebedeiras, danças exóticas na frente do palco, gritos, xavecos ridículos, vomitadas para aliviar e declarações de amizade eterna entre todos os amigos. Uma noite comum para quem sai na companhia de Tocha. Parecia que não seria motivo para uma crônica quase 20 anos depois. Parecia.

Por volta das 4 horas da manhã, a banda já havia terminado a apresentação, os garçons estavam com cara de “por favor, saiam!” e nós estávamos cantando como se não houvesse senso de ridículo. Mas entendemos o recado. Eis que Tocha dá uma ideia: Vamos na padaria X, aqui perto, comer. Sensacional ideia. Nem parecia ter vindo de quem veio. Ele geralmente estaria sugerindo emendar a noite no Clube do Baile da Saudade dos Contabilistas Aposentados. E o pior: todos topariam.

Fomos até a padaria. Era tudo que eu, particularmente, queria. Estava cansado e numa larica fenomenal. Comeria um dinossauro cru. Olhar aqueles salgados no balcão me fazia salivar como se as cataratas do Niágara descessem por meu rosto. Escolhi uma coxinha gigante que olhava com desejo para mim e eu para ela.

Antes que eu pudesse dar a primeira mordida, Tocha me interrompeu: “Mauro, pelo amor de Deus, você não vai cometer a heresia de morder a coxinha sem a famosa maionese da Padaria X. Por favor, faço questão”. A sensatez do Tocha me comoveu. Ótima ideia a dele. Em segundos, o atendente chegou e pedi a “famosa” maionese. Ele abriu a geladeirinha e pegou uma bisnaga cheia. Uma maionese branquinha, linda. As cataratas salivares formaram um tsunami de fome.


Posicionei a bisnaga na coxinha e praticamente criei uma camada branca nela, de tanta maionese. Até minha mão ficou branca. Olhei fixamente para o salgado, abri o maxilar em sua amplitude máxima e Abrouc!!!!!! Nhac!!!! Ughhhhhh! Sim, você não leu errado: Ughhhh! A “famosa” maionese era, na verdade, leite condensado. O conflito doce x salgado em minhas papilas gustativas causou uma ânsia devastadora. E eu só ouvia as risadas generalizadas na padaria enquanto regurgitava a mistura. Falei pra vocês que tínhamos o personal Ivolanda.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O negão da piroca

Sábio guru

Vaguinha difícil