Eu sou o Mauro que pousou na sua mosca



Estava eu almoçando tranquilamente quando se aproxima uma daquelas mosquinhas parecidas com as que ficam em cima de um cacho de bananas. E ela era chata e rápida na mesma proporção. Entrava em meu ouvido, no meu nariz, no olho e eu mal podia acompanhar seus movimentos. 

Aquilo estava me irritando profundamente. Eu tentava pressionar meu dedo contra ela, mas sua agilidade era fenomenal. Até que percebi que ela estava pousada no pedaço de comida que eu iria abocanhar. Shakabum! Comi a maldita.


Agora ela vai ter uma morte digna de sua chatice. Com doses cavalares de tortura que jamais algum ser vivo seria capaz de suportar. 


Vejamos: eu estou gripado, expectorando como um exorcizado, ou seja, a mosca, ao chegar em minhas vias respiratórias, entrará em contato com uma avalanche de catarro gosmento que fará com que ela perca patas e asas, fruto da luta agoniante por sua insignificante vida. 


Mesmo que ela sobreviva, a alta dose do coquetel expectorante e antigripal que eu tomo fará com que ela ingira uma quantia surreal de drogas farmacêuticas, causando alucinações com aranhas-robôs, lagartixas mutantes e sapos monstros.


Digamos que mesmo assim ela saia com seus sinais vitais preservados. Ela terá que passar na região do pulmão, e pulmão de ex-fumante também tem uma alta concentração de substâncias cancerígenas. Assim, ela avançará pagando um alto pedágio: um câncer generalizado ultramalígno de grau máximo. 


Mesmo que ela vá contra todas as possibilidades e saia ilesa, cairá no estômago. Mas não um estômago qualquer: um que estará preparado para digerir as mais gordurosas comidas que um ser como eu seria capaz de comer. Ela sofrerá um ataque dos mais nocivos gases e enzimas que o corpo humano pode produzir. 


Ok, digamos que ela passou por essa. Aí vem o pior, amigo. Ela passará pelo fígado. Um fígado que processou desde vodkas safadas, cervejas baratas, whiskys uísquisitos e até uma dose de álcool para acender churrasqueira.


E, para terminar e descer o caixão, ela vai terminar na merda, que é tudo o que o meu corpo rejeitou. Pense: o dejeto de tudo isso que eu falei, junto e misturado. Acho pouco para você, mosquinha dos infernos.

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