Um mini tornado em meu lar



Era um dia pós feriado prolongado e eu precisava aplicar o efeito reverso em minha filha. Ela estava acostumada a dormir tarde e acordar tarde. Mas o dia seguinte teria escola e era preciso fazer ela adormecer, no máximo, às 21h. 

Não foi fácil. Ela estava elétrica, um mini tornado derrubando brinquedos pela casa inteira, uma máquina de falar mamãe e papai e uma chantagistinha barata se negando a dormir. Por volta das 22h decidimos ir para a cama, preparar o ambiente para promover seu relaxamento físico e mental. 

Uma mamadeirinha com líquido aquecido a 27,8 graus, uma meia luz com claridade 33% e escuridão 67%, um cafuné terapêutico, uma mantinha macia e perfumada e os pais fazendo uma cabaninha do amor sem limites.

Nada feito. Aí começou uma luta intensa, até que, por volta das 22h52, ela começou a dar mostras que o cansaço venceria. Deitou-se sobre mim e ficou olhando a TV, com os olhos visivelmente pesados, mas relutando em dormir. Por volta das 23h28, minha esposa diz: se você não desligar a TV, ela não dorme. E eu respondo: só vou ver os gols e desligo.

Os gols do Fantástico começaram. Foi então que aconteceu um imprevisto durante os gols de Chapecoense 0 x 2 Botafogo. O segundo marcado foi inusitado. Não foi de cabeça, muito menos de bicicleta, nem tampouco de letra. Foi gol de bilau. Isso mesmo. A bola bateu nas bolas do atacante e entrou.

E para ilustrar a situação, o programa dominical colocou a música da Galinha Pintadinha, "Meu pintinho amarelinho". Nesse momento vi o dedinho da minha filha apontando a sua palma da mão, na parte que a música dizia: "meu pintinho amarelinho, cabe aqui na minha mão". Era hora de desligar a TV, antes que um novo tornado se formasse.

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